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Que tal fazer o Caminho Francês de Santiago em seis curtos dias?

santiago696

Só quem já enfiou o mínimo – ou tudo o que, na verdade, é necessário nesta vida, uma muda de roupa seca e uma escova de dentes – numa mochila e saiu atrás das setas amarelas que conduzem a Santiago de Compostela sabe o que esse pequeno grande passo significa. Fé à parte, porque a maioria não a tem como móbil, é indescritível. E só quem o fez e gosta de correr percebeu, a dado quilómetro do Caminho, no isolamento da introspeção e da fruição da natureza, que é possível ser “corregrino”. Já se fez, pelo Caminho Português, organizado, em formato de prova ou apenas de desafio, ou a solo, na ânsia de superação que não precisa de ser testemunhada. A proposta, agora, é ousar o Caminho Francês e “unir os valores do olimpismo com os valores jacobeus”.

Chama-se “Carrera del Peregrino”, parte a 18 de junho de 2017 da localidade de Roncesvalles nos Pirenéus espanhóis, junto à fronteira com França, e desdobra-se em seis etapas, até aportar em Santiago, 785km e seis dias depois. Não, a ideia não é matar ninguém. Tal como o Caminho de Santiago, é uma prova desenhada para todos os que estiverem minimamente preparados: faz-se por equipas de dez corredores, cada um dos quais terá que correr um trecho do Caminho em cada dia da prova. Ou seja, correrá entre 9km (etapa mais curta) e 18km (mais longa). E a beleza da iniciativa, apadrinhada pelo Comité Olímpico Espanhol, é que não é preciso reunir dez pessoas e inscrever uma equipa: a organização trata de fazê-lo. Há vagas para 30 equipas.

Quem já percorreu o Caminho Francês  tem noção da dificuldade da prova, designadamente em termos de relevo, o que justifica perfeitamente que seja feita por estafetas. No total das seis etapas, cada equipa terá acumulado um desnível positivo (subida) de 12,6km. E terá descido 12km. “Queremos converter-nos em mais um valor para o Caminho”, disse ao jornal “Marca” o diretor da prova, José Luis Aguado.

O tiro de partido é dado em Roncesvalles, que os franceses chamam de Roncevaux e que, para lá de um marco do Caminho – o primeiro descanso após a travessia dos Pirenéus no primeiro dia de Caminho, desde Saint-Jean-Pied-de-Port –, é um lugar de história. Atualmente a 4km (em voo de pássaro) da fronteira com França, Roncevaux foi o sítio onde o rei dos Francos, Charlemagne, perdeu a luta para os bascos e viu morrer um dos seus senhores da guerra, Roland, em 778. O Caminho segue para Logroño e para o tradicional “chiquiteo” (beber copinhos de vinho, de bar em bar, pela Calle del Laurel, ou Senda de los Elefantes”). Dali vai a Burgos e à sua Catedral de Santa Maria Maior. A terceira é a maior etapa, 179km até à catedral gótica de Léon, para no dia seguinte se correr até à belíssima e misteriosa Ponferrada, que dizem esconder o Santo Graal. Sarria e as suas “pulparias” são a penúltima paragem antes da Praça do Obradoiro, em Santiago de Compostela.

No final, a brincadeira fica por 600 euros, que incluem alimentação e alojamento em três estrelas, transportes internos da prova, kit de corregrino, apoio médico e de fisioterapia, a “compostela” e uma missa na Catedral. Sim, apetece.

Ivete Carneiro

1 comentário

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  • Luis F Ferreira

    26.11.2016

    Outra forma de lá estar…