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Incontinência urinária, uma realidade a não menosprezar

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A associação entre a prática desportiva e a prevalência de incontinência urinária tem sido alvo de estudos recentes, no sentido de se criar evidência científica nesta área. Em particular, o exercício que envolve atividades de alto impacto, como é o caso da corrida, tem vindo a ser associado a uma grande prevalência da patologia.

A incontinência urinária é definida pela International Continence Society (ICS) como “a queixa de qualquer perda involuntária de urina”. É uma das novas “epidemias” do século XXI, sendo considerada de forma errada uma consequência natural da idade, da gravidez, do exercício físico, etc. Ao ser subestimada, torna-se numa condição crónica com um impacto muito negativo na qualidade de vida, comportando graves repercussões pessoais, sociais e profissionais.

A incidência da incontinência urinária é significativamente maior no sexo feminino do que no sexo masculino, representando 85% do total de casos. Esta afeção ocorre devido às configurações anatómicas, hormonais e obstétricas, que atuam sinergicamente para o enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico. Estes músculos situam-se na base da bacia, sendo responsáveis pela continência urinária, fecal, função sexual e suporte dos órgãos pélvicos. Havendo uma falha no desempenho desta musculatura, as funções anteriormente descritas podem ficar comprometidas.

A teoria que defende que a prática de modalidades de corrida induz estiramento e enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico assenta no facto de as forças de impacto direcionadas para esta musculatura representarem três a quatro vezes o peso corporal durante a prática.

Estas elevadas forças de impacto, associadas ao aumento constante e repetitivo da pressão intra abdominal, se não forem neutralizadas pelas contrações dos músculos do pavimento pélvico, causam um estiramento e enfraquecimento a longo prazo, predispondo a atleta ao desenvolvimento de incontinência urinária. Pelo que os músculos do pavimento pélvico das atletas têm que ser muito mais fortes para terem a capacidade de neutralizar a sobrecarga a que são sujeitos.

Atualmente, este tipo de disfunção tem tratamento não cirúrgico, com alto índice de sucesso. Em Portugal começa agora a apostar-se nos tratamentos profiláticos, de forma a evitar o surgimento de determinadas patologias. No âmbito da prevenção e tratamento da incontinência urinária, a Ginástica Abdominal Hipopressiva associada a técnicas de reabilitação do pavimento pélvico são métodos com eficácia comproda clínica e cientificamente.

Uma grande percentagem de atletas relata que a perda de urina é muita embaraçosa e afeta a concentração e a performance. A incontinência urinária tem um incontornável impacto na qualidade de vida, podendo acarretar problemas psicológicos, profissionais, sociais e económicos. Tendo em conta a facilidade de prevenção e/ou tratamento, é desnecessário passar por situações incómodas como esta, que podem condicionar de forma bastante significativa toda a dinâmica diária de quem dela padece.

Vera Moreira Fisioterapeuta ROPE | Clínicas Nuno Mendes, em colabolação com o JN Running

(Fotos José Coelho/Lusa)

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