Nathalie Mauclair, a franzina dona do mundo do trail

Já aqui falámos de Nathalie Mauclair, para contar que ela será uma das estrelas do trail mundial a disputar o campeonato do mundo que começa este fim de semana a encher a cidade de Braga e que no próximo se disputa nas serras que compõem o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Mas hoje queremos ir mais longe e contar como é que uma enfermeira-chefe francesa com 46 anos é campeã do mundo de trail running. Quem é Nathalie Mauclair?

“Nathalie é alguém que se pôs a correr aos 40 anos. E que, de facto, teve bons resultados. Não pensava ter estas capacidades, dois títulos de campeã do mundo de trail, duas vitórias no Grande Raide da Reunião [a famosa Diagonal dos Loucos], uma no Ultra Trail do Monte Branco, um terceiro lugar na Western States… são na verdade coisas que não julgava conseguir fazer.”

Feito o retrato competitivo, quem é a Nathalie mulher, mãe, profissional? É uma figura franzina, quase menina, que nos passa à frente dos olhos a uma velocidade supersónica, indiferente ao duro empedrado de uma ruela de Campo de Gerês num dia chuvoso. Acaba de chegar de um passeio por parte do percurso de 85 km da prova do Campeonato Mundial. Portugal era até então um mistério para ela. Confessa-se rendida. À paisagem e aos trilhos, técnicos e desnivelados apesar da baixa altitude. Atrás de uma janela com cortina de croché, ouvem-se risos de criança. “Levo a minha família comigo, na minha paixão, o que me permite viajar com eles e descobrir a França e o mundo”, diz-nos, entre dois imensos sorrisos.

Os dias de Nathalie são feitos de batas brancas num centro de reabilitação da região da Sartre, “onde é tudo plano!”. A vida dela é gerir equipas. E treinar como pode, 15 a 20 horas por semana, cruzando bicicleta, corrida e alguma natação. Tudo isso numa pessoa que “estava dispensada de desporto na escola”, tanto aquilo era penoso para ela…

A bicicleta entrara na história de Nathalie tinha ela 30 anos, na vertente BTT e comunhão com a natureza. A corrida, essa, só veio aos 40. Porque fazia 40, precisamente. “Um amigo lançou-me o desafio de correr uma maratona com ele”, era simbólico, uma maratona aos 40. Aceitou. “Correu muito bem” é o mínimo que se pode dizer: “Fi-la em 2.54 horas. E desde então a minha vida mudou.”

A natureza chamou mais alto e descobriu o trail. “Sinto mesmo muito prazer nestes percursos”. Tanto que em dois anos estava no topo do pódio mundial, sem apelos nem agravos nem o apoio preferencialmente dado a atletas de renome.
No próximo dia 29, Nathalie diz que não vai arrancar com o terceiro título na mente. Apenas com a ideia de se superar e de se divertir. A de sempre, no fundo. E a que deveria nortear qualquerum…

Ivete Carneiro e Lúcia Sousa

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