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“O pé do ser humano é uma grande peça de engenharia”

treinio696

O gosto pela corrida por parte de pessoas com pouca ligação anterior ao deporto é cada vez maior, o que revela alguma consciência sobre a necessidade de cuidarmos do nosso organismo. É imprescindível a realização de exercício físico para nos sentirmos bem, descomprimir do nosso quotidiano mas, muito importante, é fazê-lo com a vigilância e indicações clínicas corretas.

Ora, nesta modalidade os pés são a estrutura mais importante em todos os seus aspetos. O passo mais rápido, a técnica anteriorizada da passada, o terreno mais ou menos irregular e a vitoriosa chegada à meta são aspetos que, se pensarmos bem, se apoiam nos nossos pés.

O pé é constituído por 28 ossos, 33 articulações e mais de cem tendões. Já dizia Leonardo Da Vinci, no sec. XV, “o pé do ser humano é uma grande peça de engenharia e uma obra de arte”, daí ser importante darmos-lhe a atenção merecida.

A corrida é uma atividade desportiva que pode ser extremamente agressiva para os nossos pés. Cabe a cada um vigiar e tratar os pequenos problemas que aparecem para que estes não se transformem em tormentos. Correr é um desporto de impacto e quem sofre todas estas cargas são as articulações do pé. Pressões anormais podem também levar a alterações nas articulações dos joelhos, anca e coluna vertebral. Todas as forças anómalas ao programado pelo nosso organismo vão ser automatizadas pelo nosso sistema muscular e articular. Quando este falha aparecem as lesões.

Algo que deve ser uma preocupação é saber como se pisa – saber que a cada passo que se dá a forma como se está a colocar o pé na primeira fase da marcha vai ditar uma série de pressupostos para o sucesso da corrida. É imprescindível procurar um podologista especialista em biomecânica desportiva para fazer uma avaliação pormenorizada da pegada com testes biomecânicos específicos e, caso necessário, corrigir patologias. Se é importante que qualquer pessoa caminhe bem, quanto mais um desportista que o faz mais e com maior intensidade.

A utilização de palmilhas personalizadas começa a ser uma prática comum nos praticantes de corrida. No entanto, continuam a aparecer casos de lesões instaladas e de difícil recuperação, que um diagnóstico atempado realizado por podologista poderia ter minimizado/evitado.

A escolha da sapatilha correta é também muito importante: depende do peso do atleta, do piso, da forma como se corre, da distância percorrida, etc.

Outras considerações: nunca se deve estrear um par de sapatilhas numa prova importante; os cordões devem ser bem apertados de forma a que sapatilha e pé sejam um bloco e evitar as flictenas (bolhas) originadas pela fricção contínua dentro do calçado. As unhas devem ser cortadas em forma reta, arredondando se necessário na ponta para não haver fricção no interior das sapatilhas. Assim se evitam hematomas subungueais tão comuns nestes desportistas. Manter o calçado seco e arejado, se necessário com o uso de sprays asseptizantes. Manter uma boa hidratação é também obrigatório para a recuperação mais rápida da pele do pé do desportista. Pés sãos, corrida sã!

Emília Ribeiro, Podologista ROPE | Clínicas Nuno Mendes, em colaboração com o JN Running

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