Duarte Gil, enfermeiro-atleta, vai correr 24 horas contra a paralisia

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Um enfermeiro de profissão e atleta informal, mas que leva a corrida “muito a sério”, decidiu tentar correr 200 quilómetros e doar um euro por cada um deles à Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC). Duarte Gil Barbosa, de 44 anos, trabalha no Hospital de S. João (HSJ), no Porto, e há cerca de oito anos convive “de perto” com pessoas com paralisia cerebral. O nascimento de uma criança do círculo familiar próximo com esta patologia que afeta o controlo motor e a postura, em resultado de uma lesão não progressiva aquando do desenvolvimento do sistema nervoso central, aproximou-o mais ainda da causa.

“Conheço a situação de perto e conheci o trabalho fantástico da APPC, daí ter decidido correr por esta causa. Não sou profissional, mas levo a corrida muito a sério”, contou, em entrevista à Lusa, Duarte Gil Barbosa que arranca ao meio dia deste sábado 17 de setembro para as “24 horas a correr”, em Vale de Cambra. Duarte Gil desafio os participantes na prova a doarem “nem que seja um cêntimo” à APPC. Já conseguiu adeptos para a causa no HSJ, onde dois médicos anestesistas decidiram doar o valor que Duarte Gil Barbosa vier a estabelecer.

A meta deste “atleta informal” é conseguir correr 200 quilómetros em 24 horas. “Não vai ser fácil. Sei bem disso. Na primeira edição do 24 horas nenhum atleta conseguiu esta marca e no segundo ano só três é que a fizeram.

De qualquer forma vou tentar os 200 quilómetros e por cada um entregarei um euro à APPC. Tenho esperança que tanto participantes como familiares e espetadores da corrida abracem esta causa. Um cêntimo que seja é importante”, disse Duarte Gil, garantindo estar “muito motivado”.

Em fevereiro, numa corrida de montanha em Conímbriga, Duarte Gil, que corre há 14 anos, conseguiu cumprir 120 quilómetros em 15.30 horas, por vezes “debaixo de chuva e neve”. Foi oitavo na classificação geral e segundo entre veteranos.

Em Vale de Cambra, a ambição não é o pódio, mas “recrutar” outros possíveis “mecenas” para a APCC que, entre outras valências, tem em Gondomar a “Villa Urbana”, onde pessoas com paralisia cerebral vivem em unidades residenciais autónomas. A APPC conta ainda com um centro de reabilitação, um de atividades ocupacionais e outro prescritor de produtos de apoio.

Duarte Gil conta com a colaboração da terapeuta Marta Silva e o apoio do casal Marco Silva e Paula Santos, atletas informais como ele, para este “24H Portugal – 24 horas a correr”, uma corrida de resistência num circuito de 2,1 quilómetros no Parque da Urbano de Vale de Cambra.

Além da prova de 24 horas, haverá quatro de três horas, podendo ser corridas a solo ou em estafeta. Com mais de 370 atletas nesta terceira edição, dois terços deles para a prova rainha, incluindo espanhóis e brasileiros, o “24 horas a correr” inclui uma “caminhada solidária”, amanhã, pelas 10 horas, que reverte para a delegação do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

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