Os conselhos do treinador Bob Larsen para uma maratona

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Está à porta o início de época das maratonas comerciais e muitos corredores já enchem as ruas das nossas cidades com treinos mais ou menos longos, mais ou menos acompanhados, mais ou menos fracionado. Mas quem já correu 42 195 metros ou é elite e então não precisará de ler este texto, ou já terá percebido que o dia D é aquele que comanda o sucesso – que, para a imensa maioria do pelotão, significa passar debaixo do cronómetro na meta, tanto melhor se for um pouco mais cedo do que na experiência anterior.

Na sequência dos Jogos Olímpicos e da maratona das maratonas, vejamos os conselhos de Bob Larsen, treinadores de nomes da elite como a já veterana estrela norte-americana que foi refugiado eritreu Meb Keflezighi, o “Michael Jordan da maratona”, que terminou em 33º, com 2:16.46, oito minutos atrás do queniano Eliud Kipchoge. Bob Larsen explicou ao jornal britânico “The Guardian” como se orienta um corredor de topo. E parece simples: fazes 30 quilómetros de passeio no parque com os compinchas (?!) como se fosses apenas fazer um treino longo, a não ser que um louco arranque demasiado, porque o mais importante são os últimos dez e aí é que tens que decidir o passo correto. “Se cometeres um grande erro e fores com demasiada força demasiado cedo, estás mais ou menos frito…”

Ora, isso é conversa de elite, explica Bob Larsen. O enorme pelotão de anónimos que enche Lisboa (outubro), o Porto (novembro) ou o Gerês (dezembro) deve partir sabendo exatamente o que o corpo lhe vai dizer à medida que sorver quilómetros. “Uma das melhores maneiras é arrancar as primeiras cinco milhas (oito quilómetros) um pouco mais devagar do que a média que pensas que podes manter ao longo de toda a corrida. Isto porque nas cinco primeiras milhas tens tendência a estar um pouco excitado e a ir demasiado rápido, além que não estás tão eficiente como estarás após algum aquecimento. Ou seja, é fundamental que te controles nessas primeiras cinco milhas”.

Segue-se a parte aborrecida – o meio – em que se deve tentar ir algo acima da velocidade média proposta, explica o treinador, para cumprir os últimos dez quilómetros à velocidade em que se cumpriu a primeira parte da maratona. “É uma estratégia de corrida eficiente quando  não estás a competir com outras pessoas. Os atletas de elite não têm essas opções, porque se se colam a alguém a corrida pode mudar subitamente em qualquer altura e têm de estar preparados”.

Outra diferença – que faz da corrida amador uma coisa bem mais bela do que a competição, convenhamos – está na mente. A cabeça das mulheres e dos homens transforma-se em calculadora concentrada em todos os azimutes e na postura perfeita. Um carro de corrida, em suma. Os amadores, ó prazer, podem sonhar, sorrir, conversar, por que não. Só não convém caçar Pokémons.

Posto isto, bons treinos!

Ivete Carneiro

Fotos: Lucy Nicholson/Reuters

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