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Porto da Cruz, a beleza de uma corrida “caseira”

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Na subida ao “lombinho”, um nome quase saboroso para a parede que escondia, a mãe de Hugo pontua a verdura com os seus empolgantes vá lá. Era só a última das surpresas que Hugo preparara para quem aceitou o convite para descobrir uma Madeira menos conhecida. Para trás tinham ficado a abertura do Trail Porto da Cruz Natura. E o meio. E o resto.

É simples: em 45 km (que seriam mais de 47) está metido tudo o que se pode esperar da pérola do Atlântico: está uma amostra do famoso MIUT, está parte do seu percurso, aliás, está uma amostra da famosa ultraskymarathon da não muito afastada localidade de Santana (ali só faltam mesmo os picos), mas está, sobretudo, a extraordinária de uma prova quase íntima. Duríssima, mas sem pompa. Perfeita, mas sem estrelato. Belíssima, mas sem engarrafamentos.

É a segunda vez que lá vamos e é a segunda vez que vimos de lá apaixonados. Joana Sousa ia atrás de mais uma alínea no calendário de ultra trail, a que o Porto da Cruz pertence. Já conhecia a Madeira, mas não o Porto da Cruz. Chegou terceira no escalão. Perguntámos-lhe por esta Madeira.

“Era a quarta vez que corria na Madeira, mas tudo para mim foi novo. A sombra das zonas que pareciam um bosque, a vegetação que me fazia lembrar um filme vietnamita, as levadas… Sorte de quem tem o privilégio de correr por estes locais de sonho”, conta-nos, ainda abalada com a tal primeira surpresa: quem já circum-navegou a ilha viu – é imperdível – aquele imenso rochedo que sai do mar em direção ao céu, a norte do Machico. É a Penha d’Águia. E foi o arranque da prova maior, numa inesquecível procissão de frontais até às estrelas: 5 km, 700 metros de desnível positivo e a noite.

Desceu-se, subiu-se de novo até ao único plano, o de uma das mais belas levadas madeirenses, esses incríveis obras de engenharia de antanho que levam a água a toda a ilha. E subiu-se de novo, ao poiso. E desceu-se e surgiu a mãe de Hugo no “Lombinho” e o dedo a apontar 1,5 km de distância. Quase nada. Com meio quilómetro de diferença de altitude. Uma doçura.

Tanto quanto a incomparável atenção de todos, locais, voluntários, organização. “Aqui ainda prevalece o espírito do trail”, diz-nos Joana, medalha ao peito e pernas no fresco Oceano Atlântico. “Apesar de ser uma prova com um pequeno número não fica aquém de provas já com renome na ilha”. Ah, Hugo é Hugo Marques, o ideólogo desta estafa e o maior embaixador do Porto da Cruz, este cantinho de Madeira que vive tão simples…

Ivete Carneiro

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1 comentário

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  • Márcia Sousa

    15.8.2016

    Um dia vou contigo PT Joana Sousa!