Gobi, a chinesa que encantou um ultramaratonista

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Chamava-se Tinto, mas Dion Leonard rebatizou-a de Gobi. Gobi como o deserto onde a conheceu, quando cumpria uma das etapas da 4 Deserts Race Series, na China, em março. O ultramaratonista escocês já tinha apercebido um cão vadio no primeiro dia da dura prova de 250 km, entre o pó de areia levantado pelas pernas dos 101 loucos que arrancaram com ele para a travessia das montanhas de Tian Shan até ao Deserto Negro de Gobi, numa corrida em autossuficiência com seis etapas durante sete dias.

Só ao segundo dia olhou verdadeiramente para o animal: estava ao seu lado na linha de partida, a perscrutá-lo. E acabou por correr 125 quilómetros, num feito que só podia redundar em paixão. Ao Independent, Dion admite que pouco se dirigiu a Gobi no primeiro dia, na esperança de que a cadela parasse de segui-lo na estopada.

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Teve de ser ela a fazer a declaração de amor, seguindo-o para a tenta depois da meta e adormecendo tranquilamente. E nunca mais o deixou. Partilharam água, comida e saco de cama e Dion carregou-a sempre que um obstáculo que ultrapassava o pequeno tamanho.

“Correu quatro etapas, incluindo a última, de 10 km, até à meta final. Ao longo da semana desenvolvemos um laço inquebrável. Gobi descansou no quarto e no quinto dia devido ao extremo calor do deserto, mas estava nas metas à minha espera. Percebi que não era um cão nem uma experiência normal. E comecei a procurar uma forma de trazê-la da China para Edimburgo, na Escócia”, conta Dion, na página da campanha de crowdfunding que criou.

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Porque, aí está, Gobi é chinesa e isso significa que tinha que ser avaliada por médicos e ficar em quarentena um bom número de meses antes de entrar na Europa. Um processo que custa quase seis mil euros. A beleza da história convenceu o mundo: Dion, que vendeu parte da coleção de whisky para financiar o “repatriamento”, angariou 9400 euros em donativos e promete que vai usar o remanescente num albergue para cães.

Quanto a Gobi, que está entregue a um amigo na China, deverá chegar a Edimburgo a tempo de ser a melhor prenda de Natal de todas, confessou Dion à BBC. “Ela juntou-se-nos na zona fria da montanha. Tenho a certeza de que se vai adaptar rapidamente à vida na Escócia”…

Ivete Carneiro

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