E se Portugal for descoberto como destino de corrida?

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Gemma Alcazar, vencedora ds Ultra Skymarathon Madeira

Portugal, destino de corrida? Por que não? No fim de semana passado, a ilha da Madeira foi palco de uma das cinco corridas ultras que integram as Skyrunner World Series. A Ultra Skymarathon de Santana coteja com provas nas Canárias, nos Alpes, nos Pirenéus e em Montana (EUA). Há 15 dias, era a ilha do Faial, nos Açores, que se abria a 750 atletas, mãos cheias deles estrangeiros, numa prova que nem sequer integra calendários internacionais. Em abril, já fora a Madeira, numa travessia completa da ilha que levou o maiorquino Tofol Castanyer a prometer voltar para descansar, com a família. Em outubro, as serras do Gerês acolhem o Campeonato do Mundo de Trail.

“Pelo que já vi, a Madeira está lá em cima, no topo”, dizia-nos a ultramaratonista neozelandesa Anna Frost, à margem da corrida de Santana. “É um dos melhores lugares onde estive para correr”. Lapidar. “Frosty”, como é conhecida, é uma autêntica embaixadora da corrida de montanha: tem um incomensurável batalhão de seguidores nas redes sociais e faz muito mais do que qualquer agência de viagem para promover os locais onde corre. No domingo passado, estava literalmente encantada.

A ilha “é difícil porque não é muito ‘usada’ e não há muitas indicações. Trata-se, definitivamente, de exploração, porque tens de ir, perder-te e reencontrar o caminho, ou ir com os locais, conhecer pessoas. Adoro isto na Madeira. Ainda está muito fresco e muito em bruto”, diz a atleta, que ficou em segundo lugar na corrida de 55 km e mais de quatro mil metros de desnível. Uma prova técnica de que o presidente da Federação Internacional de Skyrunning, Marino Giacometti, se diz orgulhoso. Criou o conceito de Skyrunning (uma espécie de montanhismo um pouco mais rápido) e garante que a madeira é o lugar perfeito: vai do mar ao topo da montanha.

“Somos uma federação muito jovem, mas em termos sociais e de promoção, somos provavelmente dos melhores”, diz o italiano, apontando atletas como “Frosty” ou o catalão Kilian Jornet. “Não são como os futebolistas, mas estão muito próximos em termos de popularidade. Podemos fazer um bom trabalho na promoção do desporto e na ‘venda’ do país”.

Anna Frost estava em Santana com os pais. E promete voltar “para mais tempo”. Há dois anos, depois de cortar a meta no Faial (a “Trail Running magazine UK” incluiu a prova na lista das 50 melhores do mundo), dizia que acabava de pisar a mais bela linha de chegada que conheceu. Em pleno vulcão dos Capelinhos. Esta semana, encheu o Facebook de publicidade a Portugal. Tem 115 mil seguidores.

Anna Frost: “Estes promontórios são deslumbrantes. Adoro”

Correu nos Açores e na Madeira, conhece praticamente todo o mundo com montanhas em que se possa correr… O que significa, para si, fazer trail em Portugal?
Estou a adorar. Quando cheguei, no fim de semana, conheci os corredores locais, muito hospitaleiros, fizemos uma corrida maravilhosa até lá abaixo [Santana fica a 400 metros de altitude]. Foi uma atitude muito simpática e o espírito de todos os corredores aqui é muito daquele que me faz correr. É maravilhoso, porque podemos correr todos juntos, porque podemos partilhar entre lentos e rápidos, não interessa quem, partilhamos a mesma forma de estar. Senti verdadeiramente isto, tanto nos Açores como aqui. E não só isso. Isto tão incrivelmente bonito…

E muito diferente dos Açores…
Sim. Muito mais íngreme, nos Açores as ilhas são definitivamente mais baixas. Mas consegues ter o mesmo verde luxuriante das plantas – e muitas das plantas daqui são da Nova Zelândia. É engraçado: os cheiros que sinto, das flores amarelas das montanhas, é o mesmo que sinto na Nova Zelândia. Sinto-me em casa. Mas aqui… Estes promontórios são deslumbrantes. Não consigo acreditar que há o oceano – que tem aquela cor – e os íngremes promontórios a sair diretamente dele. Adoro, não quero ir embora.

Porquê?
O clima é fantástico, adoro este calor. Quando vou a um sítio novo, quero explorar todo o lado e na Madeira leva tanto tempo a conduzir para qualquer sítio, as estradas são tão serpenteadas e é tão grande… Há tanto para explorar e tantos trilhos antigos e tanto mar e tantas montanhas que sinto que nem sequer toquei na superfície de tudo isto…

Ivete Carneiro

Fotos : Paulo Abreu e João Faria (capa)

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