“Chegou a hora de viver o Leça outra vez”

Há mais de um mês que os terrenos ao longo do vale do rio Leça, em Matosinhos, têm sido tomados de assalto por equipas de trabalho. Estão ali para a limpeza e reabertura dos trilhos que acompanham o rio, que deixaram de ser percorridos há largos anos. A iniciativa, da União de Freguesias de Custoias, Leça do Balio e Guifões, pretende unir as vertentes ambiental, desportiva e cultural e acabar com o “preconceito” acerca da poluição de um rio em reabilitação.

Quem o diz é o autarca Pedro Gonçalves, afirmando ser “tempo de devolver as pessoas ao rio e o rio às pessoas”, ainda que possa ser um processo moroso. De acordo com o presidente, o Leça atingiu o auge da poluição nos anos 1960 e 1970, mas o abrandamento industrial das décadas seguintes, as regras da União Europeia em termos ambientais e a construção de um emissário (canal de escoamento) ao longo do rio fizeram com que este deixasse de ser tão fustigado. Se já há vida dentro do Leça, o objetivo é que haja também nas margens.

Para isso, o projeto de reabilitação conta com cerca de 50 voluntários para limparem a zona e com trabalhadores da União de Freguesias para cortarem a vegetação que está a impedir os trilhos.

O trabalho de abertura de “caminhos que já não se viam” começou no ano passado, com a preparação para uma corrida que se realizou em dezembro. Estão agora a ser trilhados cerca de 20 quilómetros novos, para receber, na sexta-feira, uma prova de “trail running” – Trilhos Vale do Leça – que pretende mostrar os caminhos que rasgam todo o concelho de Matosinhos.

Esperados 500 participantes

A prova de 12 e 24 quilómetros, para a qual são esperados 500 participantes, ligará as freguesias de uma ponta à outra, com partida do Mosteiro de Leça do Balio e meta no Castro de Guifões, primeiro povoado de Matosinhos. Entre pontes construídas há séculos e pontes reedificadas agora pela Câmara, Ricardo Bomtempo, diretor da prova, diz que a corrida alia zonas “bucólicas” ao desporto e à ecologia.

O desejo é que o vale do Leça deixe de estar “esquecido”. “Queremos que as pessoas utilizem o espaço que está a ser tratado e que o trabalho da reabertura dos trilhos deixe de ser feito por máquinas e passe a ser feito pela passagem das pessoas”, contou Ricardo.

Rita Salcedas

Fotos: Rui Oliveira

trilhos leça 696

1 comentário

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  • Cristina Carlao Areias

    7.6.2016

    De louvar, temos que cuidar o nosso património.
    Cristina Areias