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Correr pela escola que treinou num parque de estacionamento

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Quando a determinação de concretizar um sonho é superior às forças maiores que geram motivos para desculpas, faz-se o que fez o Centro de Atletismo do Porto (CAP), ao longo deste ano: pôs duas dezenas de crianças a treinar no parque de estacionamento do Castelo do Queijo. E porquê um parque de estacionamento?, perguntarão todos – e bem. Porque o sonho concretizou-se antes de haver meios: a Escola de Atletismo Rosa Mota nasceu há menos de um ano, sem instalações, e os miúdos, é certo e sabido, não são fáceis de confinar num espaço aberto.

“Treinámos lá o inverno todo”, conta António Ferreira, da direção do CAP e organizador da Corrida Portucale, com que amanhã se pretende angariar fundos para dar uma oportunidade àquelas crianças. O arranque da escola – que carrega o nome da melhor atleta portuguesa, Rosa Mota, que se fez atleta precisamente no CAP – foi possível com os frutos da primeira edição da provam no ano passado: rendeu cerca de cinco mil euros que, somados a algumas cotizações do CAP, permitiu acolher um bando de miúdos.

Findo o inverno e com o apoio da Câmara Municipal do Porto, foi possível “dar um jeitinho” ao complexo do Inatel, que se encontrava quase devoluto. “Estamos agora á espera de uma pista sintética”, diz o dirigente, apelando à participação na corrida de amanhã. Com partida marcada para as 10 da manhã no Cais de Gaia, a Portucale propõe uma distância de 15 km para os graúdos e para uma competição de cadeira de rodas e outra de dez quilómetros para quem preferir caminhar (ou correr menos um pouco). Soma-se uma prova de 500 metros para crianças dos seis aos dez anos. E ainda tem inscrições disponíveis.

“Inscrevam-se, tragam as vossas crianças e venham passar uma boa manhã connosco! É uma honra ser madrinha desta prova”, apelou Rosa Mota, na apresentação da corrida, que é partilhada entre os municípios do Porto e de Gaia, numa altura em que, convenhamos, há uma enorme multiplicação de eventos. “Tivemos sempre a perfeita noção de que tínhamos que escolher bem o local e deixar bem claro de que esta não é mais uma prova comercial. Nunca foi e nunca será, porque o CAP não nasceu para fazer corridas, nasceu para praticar atletismo. Esta corrida foi a nossa ferramenta para viabilizar o CAP”, justifica António Ferreira. Amanhã terá na linha da frente nomes como o da maratonista Marisa Barros, da equipa do Salgueiros, e de Pedro Ferreira e Ismael Queirós, do Benfica.

I.C. e B.R.

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