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António, nº 2: se correr 10 km já terá ganho a Wings for Life

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Só exibirá amanhã o dorsal nº2 porque o nº1 é de um convidado da organização. António Cabral, português, foi o primeiro a inscrever-se na Wings For Life. O primeiro em todo o mundo. Quanto mais não fosse, só por isso o Porto já era merecedor de notícia. Mas é por mais: a Fundação que dá nome à corrida global para angariar fundos para a investigação de uma cura das lesões da espinal-medula ousou tabelar as vagas para a prova portuguesa em três mil, a corrida vai na terceira edição, é recente e com um conceito diferente. Esgotou-as. Ontem e hoje, eram às dezenas as pessoas que perguntavam por inscrições de última hora.

“A satisfação de quem participa e contribui para a causa é a nossa maior satisfação”, confidenciou-nos José Regalo, diretor da prova e ex-gigante do atletismo português, várias vezes campeão nacional e detentor, por longos anos, do recorde dos 3000 metros. “Há bastantes repetentes”, diz, apesar do difícil que foi a prova de 2015: choveu torrencialmente, ventou mais ainda, estava frio e alagado, mas correu lindamente.

António Cabral, por exemplo, só foi vencido pelo carro-meta – esta é a única corrida no mundo em que a meta arranca meia hora depois dos corredores, que vai encostando pelo caminho – aos 24 km, já a distância ia na Afurada do lado de Vila Nova de Gaia. “Adorei a prova, completamente diferente e emocionante. Estar a correr na outra margem do Douro e já estar a ouvir o carro motiva para correr mais uns metros. Corri mesmo ao lado do carro e vibrei quando fui ultrapassado.”

Vibrou porque é essa a sensação que se ergue do fundo de quem está ali numa corrida contra o tempo, a adiar o riso. Sim, ser apanhado por uma meta faz rir, pronto. Vibrou, sobretudo, porque corria por uma causa, como correu, há dias, a acompanhar Vítor Cavadas, de quem já aqui falámos, que está a atravessar Portugal de lés a lés a angariar fundos para a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla. “Se fizer igual ao ano passado não é mau, porque lesionei-me. E se fizer 10 km também fico satisfeito, porque o essencial está feito: participar nesta causa.” No ano passado, a causa angariou 4,2 milhões de euros no mundo.

Com António participam 3000 pessoas em Portugal (10% de estrangeiros, podiam ser mais, admite José regalo, o Porto está na moda e tudo isto é um nicho de mercado), 12 delas em cadeiras de roda. partirão da Casa da Música, na Boavista, para descer a Avenida até ao Parque da Cidade, que contornam até ao mar. Daí, é andar até ser encostado, sempre com água à vista. No ano passado, Daniel Pinheiro estendeu-se 67,4 km. Valeu-lhe o primeiro lugar nacional e, como prémio, escolher a cidade onde correrá amanhã: o Dubai. Vai ter mais calor do que nós, é certo. Doroteia Peixoto, a vencedora portuguesa, estará em Niágara, no Canadá. Pelo mundo, são 34 as provas, simultâneas, numa operação que obriga a uma sincronização que não pode falhar e que ditará um vencedor mundial. Em 2015 foi Lemawork Ketema, etíope refugiado na Áustria que entretanto ganhou título de residente. Correu 79,9 km. Daniel foi encostado 19 pessoas depois, a quilómetros de distância.

Ivete Carneiro

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