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Não basta comprar sapatilhas da moda, é preciso filtrar informação

cabaz696

O verão aproxima-se, os ginásios enchem, corpos e mentes despertam para o exercício físico, a estética passa para a linha da frente das prioridades. Informações, recomendações, estudos, números e gráficos proliferam na Internet e, por isso, é preciso esclarecer quem se dedica ao exercício e quem tem de prescrever a atividade física. Assim surgiu o manual “Nutrição no Desporto”, do Programa Nacional para a Promoção Saudável da Direção-Geral da Saúde (DGS), que reúne um conjunto de orientações de base científica.

Há uma quantidade de informação ligada à nutrição e ao desporto, baseada em factos disponíveis na Internet, que nem sempre é adequada para melhorar desempenhos e ter uma alimentação saudável”, alerta Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS. Depois do aviso, uma pergunta: “Se uma pessoa investe numas sapatilhas de marca para correr, num bom plano de treino para melhorar o desempenho, no ginásio, por que não investir algum do seu tempo para aumentar o conhecimento e ter um acompanhamento nutricional adequado?”

O manual de 48 páginas, disponível em www.nutrimento.pt, aborda vários assuntos: estratégias nutricionais, relação da alimentação com o rendimento, necessidades energéticas de quem pratica desporto, hipertrofia, perda de peso, a problemática da suplementação desportiva. Tem tabelas com estimativas, com recomendações, e cálculos. A ideia é, explica Pedro Graça, “dar rigor científico e qualidade técnica” a temas que interessam a quem se preocupa com o exercício. Mónica Sousa, do Centro de Investigação, Formação, Intervenção e Inovação em Desporto da Faculdade de Desporto do Porto, e Vítor Hugo Teixeira, da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, assinam o manual lançado no início deste mês. A data não surge por acaso. Maio é o mês do coração e o coração, já se sabe, precisa de estimulação física.

“Nutrição no Desporto” não é apenas para atletas profissionais, mas para todos os que praticam desporto regularmente e se preocupam com estas matérias. Cada caso é um caso e as necessidades nutricionais de quem pratica desporto variam conforme o tipo de treino, a altura da época e o calendário das competições. Já se sabe que a estimativa das necessidades energéticas é fundamental para um plano alimentar adequado e que há várias opções para fazer as contas. As reservas de gordura e de hidratos de carbono são as maiores fontes de energia durante o exercício e, portanto, é importante que sejam eficazmente restabelecidas de dia para dia.

A hidratação também entra no manual e lembra-se que é necessário beber fluídos suficientes antes e depois do exercício físico, de forma a limitar a desidratação a menos de 2% do peso corporal. Quanto à ingestão de fluídos e sódio, as recomendações partem do geral para o particular, com base nas características do atleta, do treino, do meio ambiente e do ambiente envolvente. Em desportos que exijam deslocar o corpo na vertical, como salto em altura, na horizontal, como corrida ou ginástica artística, recomenda-se a redução da relação entre massa gorda e peso corporal. E fica o aviso: De entre as centenas de suplementos existentes no mercado, poucos são os suportados por uma forte evidência científica com efeitos positivos no rendimento desportivo”.

Sara Dias Oliveira

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