Vítor vai “doar” 900 km à esclerose múltipla

O projeto “Muito mais do que correr” vai levar Vítor Cavadas a percorrer o país para angariar fundos para a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM). Sem ligações pessoais à doença, o jovem de 25 anos interessou-se pela causa e decidiu calçar as sapatilhas.

Vítor foi militar do Exército até há cerca de um mês. Em 2011, quando se preparava para partir para uma missão no Kosovo, contraiu uma lesão grave no joelho. Três intervenções cirúrgicas depois, o médico disse-lhe que não poderia voltar a praticar desporto. “Aos 24 anos não queria mesmo desistir do desporto, porque é uma coisa de que eu gosto mesmo”.

Ao cabo de horas a fio de fisioterapia e de ter sempre rejeitado a ideia de parar, Vítor voltou a correr. “Comecei a dar umas corridinhas, devagarinho, e a entrar em provas de atletismo. E quis saber um pouco desta causa. Visitei esta sociedade [a SPEM] em Lisboa, gostei das pessoas que conheci lá e elas transmitiram-me uma força enorme para fazer este projeto com elas”.

A iniciativa vai levar o jovem à estrada durante cerca de um mês, para palmilhar o país à procura de apoios financeiros. “Este projeto consiste em ajudar a divulgar a doença, que é a esclerose múltipla, que é pouco conhecida no nosso país. Quero fazer uma angariação de fundos para a SPEM. Fiquei a conhecer mais a doença. Tocou-me bastante e decidi que era por ela que iria fazer esta prova”, dividida por 25 etapas.

“É uma prova de cerca de 900 km. Começo no dia 25 de abril para acabar a 25 maio, que é o dia mundial da esclerose múltipla. Hei de passar em várias cidades do país e em cada cidade pretendo fazer uma angariação de fundos, falando com as empresas e abordando diretamente as pessoas que encontrar na rua”.

O dinheiro que o atleta conseguir angariar irá diretamente para a SPEM, uma Instituição Particular de Solidariedade Social que ajuda doentes com esclerose múltipla, uma doença crónica que afeta o sistema nervoso central e que afetará mais de oito mil portugueses.

Vítor tem o mapa do país na cabeça para conseguir singrar a cada etapa. “Penso que todas as etapas vão ser fáceis, porque esta camisola transmite uma força muito grande”. Quem a usa chama-lhe “vermelhinha”. “É para iniciar e acabar com o mesmo espírito e força de vontade. Em cada cidade visitarei delegações da SPEM. Pelo menos nas etapas da minha cidade, que é o Porto, sei que vou contar no mínimo com 50 pessoas a correr comigo. Há de ser uma festa e havemos de conseguir divulgar esta doença e apoiar esta causa”.

A maior parte das etapas terá 30 km, com a mais longa a chegar aos 57,4 km.

Joana Almeida Silva

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