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Na Maratona de Paris a alegria foi uma arma

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É ainda com um característico andar à John Wayne e numa esplanada banhada pelo sol de um dia primaveril em Paris que tento chegar a uma conclusão sobre as tão propaladas medidas de segurança dentro e em volta da Maratona de Paris, primeiro grande evento na capital francesa depois dos atentados de novembro e na ressaca dos recentes acontecimentos em Bruxelas.

Lamento, mas no domingo não me apercebi de nada. Se o que imagina é uma descrição dos Campos Elísios repletos de polícia e o Arco de Triunfo cercado de carrinhas de forças especiais de segurança, pode parar de ler. Mas se lhe interessar um quadro com milhares de pessoas felizes a preparem-se para o tiro de partida, continue por aqui.

Não, não havia um polícia por cada corredor, mas havia dois de binóculos no topo do Arco do Triunfo. E um helicóptero a sobrevoar uma avenida a abarrotar de gente. Gente sem medo, que o medo é uma forma de aceitação de derrota. Seja a correr, seja na vida.

A organização garantiu que foram tomadas especiais medidas de segurança, que havia fisionomistas e especialistas em detetar comportamentos anormais, mas o que vi foram praças e ruas a abarrotar de gente que estreitava a passagem a quem passava a correr. Nunca me sentirei tão perto de um ciclista que escala o Alpe d’Huez numa etapa decisiva do Tour, ladeado de milhares de adeptos. Medo? Aos 25 quilómetros só o medo de não ter força para os restantes 17.

É óbvio que havia polícia pelo percurso, ainda que boa parte aparentemente preocupada com o trânsito; mas havia bombeiros, ainda que alguns (muitos) mais preocupados em gritar “courage” e “bravo” do que em estar em alerta máximo. A maratona parisiense teve, certamente, extraordinárias medidas de segurança – vimos um polícia pedir a um assistente que abrisse a mochila -, mas talvez o segredo do sucesso seja mesmo a forma discreta como tudo é feito.

Só uma vez ouvi falar da segurança e foi já na meta quando o speaker teve a gentileza de agradecer em público a todos os que ajudaram a que nada tivesse corrido mal na 40ª edição desta maratona. Talvez esta forma de viver sem medo seja, na verdade, a melhor medida de segurança que Paris pode oferecer no próximo grande evento: o Euro’2016.

Alcides Freire / O Jogo

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