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“Cem quilómetros a correr!? Isso faz-se? Em Lousada?”

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Pedro Machado admite que não sabe o que é correr. E admite que tudo isto lhe parece de loucos. “Cem quilómetros a correr!? Isso faz-se?”. Mas é presidente da Câmara de Lousada e, para fazer jus ao nome da terra, teve a ousadia de dar o braço a torcer e a oportunidade aos lunáticos que lhe apresentavam o projeto. Coisa simples: fechar a zona do Complexo Desportivo por um dia, a 2 de abril, e permitir que algumas mãos cheias desses loucos se pusessem à prova completando 100 quilómetros em 15 horas.

É a edição número 1, em Lousada e em Portugal, de um formato que tem história pelo mundo fora. Por cá, até há provas de 100 km. E de mais, muito mais. Mas são de montanha, sempre dependentes de dados de curvas e relevos, que não só não cabem em 15 horas, como dificilmente acertarão ali no 0,0 dos 100 km. Portanto, é garantido, hoje far-se-á história em Lousada. E com a promessa de que doerá menos do que a história que se vai fazendo lá fora: “Há provas com um limite de 11 ou 12 horas. Definimos as 15, com bónus. Se houver alguém a dez quilómetros dos cem quando bater a meia noite, não vamos travá-lo”, explicou um dos organizadores, João Paulo Meixedo, na apresentação oficial dos “100K Portugal”.

O senão: “Perguntam-me se andar 100 km em circuito não será como fazer piscinas. Não é, são 2325 metros por volta”, em ruas, com vida à volta, garante João Paulo Meixedo. Haverá público e uma zona de paddock e os 270 atletas que, paralelamente, participam na Maratona de Lousada. “É a terceira do país, depois de Lisboa e do Porto”. E se muitos a fazem inteira, muitos outros juntam-se em 14 equipas de estafetas, para garantir que o circuito terá animação para os “loucos”.

João Paulo Meixedo e Vítor Dias são os homens por detrás de outra prova inédita – as 24 Horas A Correr – e até nas estatísticas desse evento buscam a certeza de que 15 horas serão suficientes para os 80 inscritos (sim, 80!). Entre eles, o recordista espanhol dos 100 km e das 24 horas.

Feitas as contas, serão 43 voltas, cada uma com um desnível irrisório de 20 metros (860 metros em 100 km é nada. Ou parece…) e muita “gestão”. É “A” palavra, garante Ricardo Bastos, diretor da prova e “louco”, repetente nas 24 horas. Gestão. Do tempo, da mente, da conversa – aqui, acrescentamos nós, é que está “A” palavra.

Pedro Machado diz que já foi “algumas vezes abordado para iniciativas que não são sustentáveis”. 100 km? “Em Lousada? Não pode!” A prazo, percebeu “que era uma coisa séria” e que, sendo Lousada o concelho mais jovem do país, fazia mesmo todo o sentido. Como fez investir no novel Complexo Desportivo, em cuja pista de oito corredores passarão hoje, várias vezes, 350 pessoas.

Ivete Carneiro

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