Fisionomistas e detetores de metais na Maratona de Paris

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A 40.ª edição da Maratona de Paris, a realizar depois de amanhã com a habitual forte presença portuguesa, vai decorrer sob o signo da vigilância: terá um dispositivo de segurança “consideravelmente reforçado” para fazer face à ameaça terrorista, numa altura em que França e Bélgica multiplicam raides policiais na sequência dos atentados de Paris e Bruxelas, tendo inclusive abortado um ataque na cidade-luz.

“Tivemos ao longo das últimas semanas reuniões regulares com a polícia de Paris e podemos dizer que o dispositivo previsto foi consideravelmente reforçado, porque a segurança é a nossa maior preocupação”, informou ontem o diretor da prova, Edouard Cassignol. Escusou-se a adiantar pormenores sobre as medidas adotadas. Mas apontou alguns exemplos, como o controlo de malas e sacos (30% dos maratonistas trazem bagagem com muda de roupa que deixam na zona de chegada), com reforço “quer em termos de recursos, quer de materiais, dado que o pessoal estará equipado com detetores de metais”.

Estão ainda previstos “fisionomistas” e “pessoas formadas para detetar todos os comportamentos anormais”, além de os 3000 voluntários que dão apoio à prova terem sido instruídos no sentido da redobrada vigilância, explicou Cassignol. “Não podemos dizer muito mais. Comprometemo-nos a não revelar os detalhes do dispositivo, porque a confidencialidade garante toda a sua eficácia”. O reforço será extremamente sensível na partida, nos Campos Elíseos, e na chegada, Avenue Foch.

A certeza é a de que a anular nunca esteve em cima da mesa, tal como já foi afirmado que o Euro 2016 e o Tour terão lugar. Em 40 anos, a Maratona de Paris – a segunda mais concorrida do mundo a seguir à de Nova Iorque – só foi anulada em 1991, devido à Guerra do Golfo.

Em números

Estão inscritas 57 mil pessoas para o evento, sendo esperados cerca de 250 mil espetadores ao longo de um percurso circular que atravessa boa parte da cidade. De entre os participantes, 42% são estrangeiros, de 149 nacionalidades, e muitos deles são portugueses (no ano passado foram 217). A organização admitiu ontem ter sido contactada por inscritos (mormente dos EUA, de onde vêm perto de 3000 maratonistas) depois dos atentados de Paris, a 13 de novembro, mas não agora, após os ataques de Bruxelas. Não espera, por isso, mais do que a habitual média de dez mil faltas na partida para os 42.195 metros.

Uma curiosidade: no ano passado foram percorridos, no total, 1.744.425 km – quatro vezes a distância da Terra à Lua.

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