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Trail em Valongo é “movida brutal”

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Eram quatro e coexistiam. Dois deles ficaram de fora do Campeonato Nacional de Trail, por forças da reorganização dos calendários. Usavam as mesmas serras, nas encostas de Valongo. E viram ali uma oportunidade. Por que não juntar trapinhos e oferecer uma competição aos atletas? Uma competição a sério, com ranking e prémio? Assim nasceu, em dezembro, o Circuito de Trail de Valongo, que arranca já no dia 20 de março, com os Trilhos do Paleozóico, esgotadoshá tempos e que promete dar a conhecer o impensável a 2100 atletas, miúdos e graúdos, espalhados por quatro provas (crianças, 12 km, 23 km e 48 km).

O calendário daquela que é considerado o “primeiro destino metropolitano de trail e atividades outdoor” do Grande Porto (como lembra o autarca de Valongo, José Manuel Ribeiro) prossegue em Junho com o Trail dos 4 Caminhos, em Julho com o Trail de Santa Justa e fecha em dezembro com o Trail noturno.

Foi um feliz encontro de ideias, resume Luis Leite, do Grupo Desportivo dos 4 Caminhos e porta-voz do circuito, que junta o Grupo Dramático e Recreativo de Retorta (Paleozóico), o Grupo Dramático de Campo (Santa Justa) e o Clube de BTT de Valongo (Norturno). “Num feliz dia de dezembro juntámos-nos numa célebre casa de Valongo – que serve bifanas – e concluímos que temos quatro excelentes provas com grande sucesso e que, sem acréscimo de trabalho para as organizações nem de custos para os atletas, poderíamos criar uma mais valia: pontuação para um ranking. Porque até podem dizer que não, mas todos gostam de ver classificações e de seguir rankings”.

Ora, é sabido que uma boa bifana é sempre uma excelente conselheira. Feitas as contas, as quatros provas juntam mais de cinco mil pessoas entre Alfena, Santa Justa e Pias, trazem hordas de atletas aos trilhos e transformaram Valongo no centro de treino de corrida de montanha da região, com um desnível abundante e passagem pela bucólica aldeia de Couce, a escassos minutos do Porto. Só falta fidelizar as pessoas. E, de passagem, contribuir para a economia local e a divlugação de produtos regionais e zelar pela manutenção dos trilhos, por força do seu uso.

O ranking far-se-á pontuando por escalões, em igualdade de circunstância para homens e mulheres, com prémios para ambos os sexos e classificações individuais e por equipas (o melhor tempo de cada equipa em cada uma das provas).

“Temos que ter a humildade para perceber que não somos os melhores e que a concorrência é salutar”, avisa José Manuel Ribeiro, numa espécie de piscar de olho à sobreposição de provas de sucesso com o incremente da prática do trail. inventando, José Manuel Ribeiro acredita que Valongo é onde acontece “a movida” da corrida de montanha, que a câmara apoiou, no ano passado, com mais de oito mil euros. Uma movida que só pode e tornar-se “brutal”, a prazo, com a efetivação do Parque das Serras do Porto, criado esta semana para dar natureza jurídica a uma área de quase 6000 hectares entre Valongo, Gondomar e Paredes. “O Porto passou a ter serras. Podemos dizer a um estrangeiro, anda ao Porto, até podes fazer trail”, diz o autarca, lembrando que só a Área Metropolitana do Porto tem 1,8 milhões de habitantes e deixando um desafio aos promotores do circuito: “Por que não 100 km?”

Ivete Carneiro

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