Guia para entender o Skyrunning

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Com origem em Itália na década de 90, o Skyrunning nasceu enquanto circuito de provas em alta montanha, acima dos 2000 metros. Mais tarde, a Federação Internacional de Skyrunning (ISF) decidiu integrar no seu âmbito todas as provas realizadas em montanha, mesmo naquelas que não atingem tais altitudes. A Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal foi aceite na ISF e é quem tem a responsabilidade de organizar e regular as corridas em montanha com as características de Skyrunning.

E que características são essas?

Conforme consta no Regulamento de Competições, o espírito Skyrunning distingue-se pela dificuldade técnica do percurso, pelo desnível acentuado – muitas vezes acima de 30% e que tem como objectivo o cume das montanhas onde as provas se realizam. Os locais de especial beleza nas montanhas onde se realizam estas provas fazem parte do percurso, podendo constar dos acessórios de prova as cordas ou haver, inclusive, troços de escalada.

“Ao contrário de outras disciplinas de corrida, as competições de Skyrunning representam o desafio supremo, onde as corridas não são apenas medidas pela distância, mas também pela verticalidade e pela dificuldade técnica, num ambiente natural de montanha, onde a terra encontra o céu”, descreve a ISF.

Mas é uma prova de escalada?

Não. Ao contrário de outras provas em montanha, a ISF determina que, apesar de o desnível poder atingir os 30%, não pode exceder o grau II da escala de dificuldade da UIAA (caminho abrupto, em que para subir já poderá ser preciso usar mãos e cordas).

As provas são homologadas?

Sim, as provas que o requeiram e que reúnam as condições adequadas são homologadas enquanto provas de Skyrunning e, caso façam parte do Calendário nacional, são objecto de arbitragem por técnicos especializados (juiz árbitro), que supervisionam o cumprimento rigoroso de todas as normas técnicas e de segurança da corrida.

Quais as distâncias?

Sky – Até 50 km – Média de 13% de inclinação e máximo de 15% de estradas transitáveis:

  • SkyRace – Mínimo de 20 km e de 1200 metros de desnível positivo.
  • SkyMarathon – Mínimo de 30 km e de 2000 metros de desnível positivo.

Ultra – Com mais de 50 km e mais de cinco horas para o vencedor:

  • Ultra SkyMarathon – Corrida que exceda em mais de 5% os parâmetros de uma SkyMarathon, com distância superior a 50 km, mais de 2500 metros de desnível positivo acumulado e com tempo do vencedor entre cinco e 12 horas.
  • Ultra XL SkyMarathon – Provas que excedem os parâmetros de uma Ultra em mais de 5%, têm no mínimo 5000 metros de desnível positivo acumulado e em que o vencedor demora mais de 12 horas.

Corrida Vertical – Corridas de uma única subida com inclinação média de 25% e com um desnível mínimo de 650 metros e distância máxima de 10 km.

Quilómetro vertical – Competição com 1000 metros de desnível positivo (5% de tolerância) num máximo de 5 km.
SkySpeed – Corrida de 100 metros ou mais de desnível vertical e uma inclinação superior a 33%.
Calendário
O calendário de competições está dividido entre Campeonatos Nacionais e Regionais, Taças de Portugal, Regionais e de Clubes. De referir que os escalões de prémios em todas as provas integrantes deste calendário são iguais para os géneros masculino e feminino.
O destaque do calendário vai obviamente para o Ultra SkyMarathon da Madeira, em Santana, prova integrante das ISF Skyrunner National Series Spain, Portugal e Andorra que traz até nós alguns dos nomes sonantes do panorama internacional, já que fará parte também do World Series. Deste circuito Ibérico fazem parte ainda a mítica Zegama, prova de superior espetacularidade, a Ultra Pirineo, o Andorra Ultra, a Transvulcania e a Epic Buff, prova que será também Campeonato do Mundo.
A pérola do Atlântico (ilustrada aqui pelo fotógrafo Ian Corless), com condições únicas para a modalidade, é destino principal para as provas do calendário nacional, mas já há mais provas em território continental e também nos Açores. De Vilar de Perdizes a Sintra, passando por Cinfães, Serra da Estrela, Lousã e Proença a Nova, com incursões a Paredes (Porto), ao Alto Alentejo (Castelo de Vide e Marvão) e às Ilhas do Pico, Faial e Madeira, é uma autêntica viagem por paraísos só acessíveis depois de subidas infernais. O crescimento deste calendário é o reflexo do trabalho de base feito pela Federação e com o importante e não menos determinante trabalho dos clubes e empresas organizadoras de provas.
O calendário e links para os sites das provas está disponível para consulta no site da FCMP. Todo o regulamento das provas e da organização de campeonatos está disponível aqui e é uma excelente fonte de aprendizagem para quem está a pensar organizar ou participar numa prova de montanha.
Rui Pinho, in Tripas e Nortadas
Fotos: João Clode e Aurélio David
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