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Se os pés não estiverem em boas condições haverá lesões

Pode ser uma coisa comum e tão simples como ter o pé raso. Ou muito cavo. Ou ter uma perna maior do que a outra. Condições que, para a maioria das pessoas, pouca diferença fará. Mas para quem solicita os pés como um corredor, pode fazer muita. Fomos tentar perceber porquê com Hélder Neves, podologista que tem vários atletas na carteira de pacientes. Entre eles, Rui Silva, medalhado olímpico de atletismo, e Lucinda Sousa, campeã nacional de  ultra trail.

“Se os pés não estiverem em boas condições, vamos ter lesões. Muitas”. Hélder Neves admite que se especializou  nos pés de atletas depois de perceber o quanto o desporto pode piorar questões simples. E aponta o exemplo das fasceítes plantares (quem não as teve, hein?): “Vamos imaginar que temos uma corda que parte do calcanhar e termina na frente do pé. Num paciente com pé normal ela anda relaxada todo o dia. Em pacientes que tenham pé muito raso ou  muito cavo, a prática do desporto vai inflamá-la. E sentem aquela dor no calcanhar no final da corrida.”

O podologista alerta, por isso, para a necessidade de prevenir. Uma avaliação pode detetar todas as pequenas especificidades biomecânicas dos pés e ajudar a corrigir passadas. Como? Com palmilhas. “Se não corrigir, a tendência é agravar”.

Ora, essas especificidades são mais comuns do que se julga. Lucinda Sousa procurou Hélder Neves há cerca de um ano, quando percebeu que tinha uma diferença de 1,6 centímetros na altura das pernas. “Sempre tive problemas de colunas e uma dor na parte posterior da perna”. Ainda assim, vencia provas. Corrigiu a diferença com palmilhas personalizadas e a lesão desapareceu. Hoje, garante, não consegue correr sem elas. “Se correr sem elas sinto que falta ali parte de mim”.

O trabalho do podologista, além de analisar as lesões existentes – fasceítes, problemas nos joelhos, canelites –, consiste em avaliar a propensão para elas, em função, até, da frequência, da intensidade e do tipo de treino. A pegada é analisada na plataforma de forças ligada a um computador, enquanto o podoscópio fornece indicações sobre “o calcanhar, os joelhos e a anca”. A avaliação fica completa com um exame muscular. “Se necessitar de correção, faz-se o molde e as palmilhas”.

O desafio, posto isto, é que “umas palmilhas de trail não podem ser só boas. Têm que ser excelentes. Se forem boas chegam ao fim de uma prova e o paciente queixa-se, com dores aqui e ali. Não pode doer. Se doer, lixo…”

Ivete Carneiro

1 comentário

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  • Nelson Pinto

    22.2.2016

    Sem dúvida existe um lugar para a podologia!