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Contornar Santa Maria 523 anos depois de Colombo

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Correr ao lado da elite internacional da Salomon? Ou ao lado de uma das maiores pistas de aviação do país? Passar pelo centro de controlo de tráfego aéreo do Nordeste do Atlântico? Ou contornar, mar à vista, como Cristóvão Colombo fez, a primeira das ilhas a revelar a beleza dos Açores ao mundo? Tudo em simultâneo? Sim, é já no próximo dia 27, uns certíssimos 523 anos depois de o explorador ter parado a namorar a sombra baixa de Santa Maria até conseguir aportar na Baía dos Anjos, antes de rumar a Lisboa, no regresso da descoberta das Américas, entre 18 e 28 de fevereiro de 1493.

Com tanta memorabilia, não se podia ter achado outro nome para o Columbus Trail, que volta a colocar o arquipélago na rota do trail nacional, ainda que num evento que se quer como a ilha que o acolhe: intimista. O objetivo de Mário Leal, o ideólogo de corridas de montanha inigualáveis como o Faial Costa a Costa ou o Triangle (três dias, três trails, três distâncias, três ilhas) é ter cem pessoas a conhecer Santa Maria. E porquê Santa Maria? “Porque tem trilhos com boas condições e capazes de completar distâncias interessantes”. “Porque é a ilha mais antiga dos Açores”. “Porque foi homologada a Grande Rota” de trilhos oficiais que contornam toda a ilha e os organizadores entendem que faz sentido usar trilhos oficiais, para que todos os conheçam e possam usá-los a seu bel prazer. E porque o Governo Regional dos Açores olha a corrida de montanha como uma das mais belas formas de dar a conhecer a magia do arquipélago e apoia a iniciativa.

O cardápio é curto: uma maratona de 42 km e uma ultra de 77 km partirão do Forte de S. Brás, datado do tempo dos Filipes, para percorrer a história que, aqui, sobreviveu – ao contrário do resto das ilhas, mais fustigadas pelas diabruras dos fundos atlânticos, explodidas por vulcões e sacudidas por terramotos. Santa Maria tem monumentos. Seguem a par até Santa Bárbara, onde se cumprem os 42 km. Com vagar, nove horas para um pouco mais de 2000 metros de desnível positivo, porque, para Mário Leal, uma corrida de montanha tem que ser apreciável. Os mais corajosos prosseguem noite dentro até às planuras e somando mais mil e poucos metros de desnível, ate fechar a Grande Rota na Vila do Porto antes da meia noite.

A promessa é a de grutas, lavas em tempo submersas e hoje altivas, praia, mar, degraus, vinha em socalcos (sim, como no Douro), fósseis e a descoberta de um dos territórios mais isolados de Portugal, onde vivem quatro mil pessoas. E a de olhar, in loco, a perícia de máquinas voadoras como Philipp Reiter, Thomas Wagner ou Thomas Owen. E tudo isto com desconto em voos e na estadia.

Já corremos nos Açores. E regressámos para correr nos Açores. E vamos voltar a regressar, passe o pleonasmo. Porque é impossível não regressar sempre ao mais belo pedaço de Portugal.

Ivete Carneiro

1 comentário

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  • Jose Pacheco

    13.2.2016

    Calcorrear Santa Maria de lés a lés