0
Uma corrida para reabilitar as margens do Leça

  
A história começou com um Free Trail ao Homem da Maça, iniciativa de sucesso que juntara centenas de adeptos da corrida por trilhos na improvável Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos. Cresceu como prova organizada que promete encher as margens do Leça de Natal no fim de semana anterior à consoada. E pretende agora firmar-se como a base de lançamento de trilhos permanentes.

“Após anos a construir uma fama de rio poluído foi naturalmente sendo esquecido e ignorado pela população e nunca associado a um espaço de extrema beleza ou possibilidade para um passeio de fim de semana ou piquenique de família”, diz Ricardo Bomtempo, da Funevents, que encontrou “trilhos fechados” e um cenário de lixeira nas margens. “A única forma de conseguir ter uma prova pronta em dezembro seria contando com os apoios da autarquia”, através da Camara Municipal de Matosinhos, via Matosinhosport, e das uniões de freguesias de Guifões, Custoias e Leça do Balio e de Santa Cruz do Bispo, Lavra e Perafita.

“Foi aqui que fui criado e para mim é um enorme prazer voltar a estas margens agora para poder reanimá-las”, diz por seu lado Victor Martins, outro membro da organização.

O Xmas Trail, que teve as suas duas primeiras edições em Gaia, mudou-se assim para Guifões e Santa Cruz do Bispo, para, nos dias 19 e 20 de dezembro, oferecer uma corrida para crianças e duas corridas para graúdos, com dez e 18km, empreitada que exigiu o “esforço conjunto das organizações locais e de vários voluntários”. À Funevents juntaram-se a Escola de Ciclismo e BTT ADSL e o ECO Clube Beira Rio, para abrir um percurso que estava fechado. A curiosidade fez o resto, as inscrições esgotaram em poucos dias e a organização já ofereceu ajuda à autarquia para transformar os trilhos agora abertos em percurso permanente, incentivando uma ideia antiga de ligar por caminhos o Mosteiro de Leça do Balio (Parque das Varas) ao Porto de Leixões numa extensão de margem com cerca de 10km.

“Este Rio merece estar visível, acessível e sinalizado. Acreditamos que também assim todos os atentados ecológicos realizados regularmente nestas águas passem a estar mais expostos”, diz Ricardo Bomtempo.

0 comentários

Leave a Reply

Faça login para comentar