Testámos as Hoka Speedgoat

  
O desafio era arrojado: percorrer 45 km entre a Régua e o Marão no regresso às corridas após uma lesão e tendo na memória duas provas da mesma distância, semanas antes, concluídas com os pés em sofrimento, derrotados por sapatilhas mal escolhidas. Propuseram-nos arriscar passar por cima da estranheza que causa um design, digamos, difícil, e ousar correr com as Hoka One One Speedgoat. Aceitámos. E recomendamos.

O site da marca conta-nos que o modelo se inspirou nas duras condições da Speedgoat 50k de Karl Melzter, nos EUA. E anuncia um sapato de guerra para terrenos de guerra.

A primeira impressão quando se calça um sapato Speedgoat é a de que, afinal, a sola não é tão alta quanto parece e não nos vamos pôr aí a torcer pés a torto e a direito. A segunda – e seguramente a fundamental – é a de absoluto conforto. Somos adeptos do calçado com proteção, até como prevenção de lesões, e este é seguramente o mais performante que testámos nesse particular. A sensação é a de se pisar uma nuvem.

A lesão em causa implicava fratura óssea, pelo que uma das preocupações era a da flexibilidade do material para evitar fricções. Leve e arejado, percebeu-se muito cedo que não haveria problemas por aí, ao contrário do que acontece com outros sapatos de forma mais dura. Outra grande vantagem que importa assinalar está no facto de o pé ser protegido pela aparente sola em volta, numa espécie de “bote”. Evitam-se as torções de que se falava há pouco e aquela sensação desagradável de dores nos dedos quando uma pedra solta se interpõe no caminho. Para quem aprecia a aproximação do minimalismo, as Speedgoat não serão o melhor, ainda que ofereçam um drop (diferença entre o calcanhar e a frente do pé) de apenas 5 mm.

Outra característica incontornável das Speedgoat está na sua extrema leveza (243 gramas), dando à corrida uma certa sensação de velocidade (não é, mas parece e isso faz bem ao ego).

O terreno em causa era de granito seco e terra batida, a que as Speedgoat se adaptaram com excelência. As solas Vibram são definitivamente aderentes na Rocha e não resvalam na pedra solta. Pouco depois testámo-las em trilhos na Lousã. Portaram-se dignamente no xisto, nas quedas de água, no tapete escorregadio das folhagens de outono, havendo apenas um reparo no que toca à lama. Aí sim, escorregam um pouco. Terminámos ambas as provas sem uma mazela nos pés e com as unhas incólumes, apesar de algumas descidas duras. 

2 comentários

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  • Fernando Pereira

    8.12.2015

    Convinha terem dito o preços e quantos modelos e cores podemos escolher.

    • ivete

      8.12.2015

      Boa tarde. Esse tipo de informações está nos sites das marcas, que não pretendemos aqui copiar. Obrigada pela atenção.