Seis mil corredores pela Unicef

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É cada vez mais certo que a multiplicação de provas está a deixar os corredores, digamos, algo cansados. Porque já não há pernas que aguentem tanto desafio, ou porque não há cabeça que consiga selecionar o melhor num calendário impossível de destrinçar, ou porque começa a fazer falta correr sem objetivo físico nem destino delineado por fitas ou percursos. Mas a verdade é que correr só por correr, muitas vezes, não chega. E se é para fazer um esforço, que alguém tire proveito dele.

Daí nasceram as iniciativas solidárias, primeiro individuais – um corredor define uma distância, escolhe um beneficiário e angaria migalha a migalha entre amigos e conhecidos – depois coletivas. Primeiro com metas, depois com metas ao contrário, depois sem elas. No passado fim de semana, uma pequena parte do mundo juntou-se numa delas e conseguiu reunir, através do Globo, 95 mil euros. O apelo fora lançado com alguma antecedência: a ideia era inscrever-se na Team Unicef World Run, uma corrida global pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), pelas crianças do mundo, pelos projetos que tentam salvar vidas num mundo desigual.

E era simples. A inscrição custava cinco euros – bem menos do que a esmagadora maioria das provas que há por aí – ou, acima disso, a doação que cada um entendesse. E era isso: sem prova, sem meta, sem cronómetro, tratava-se de calçar as sapatilhas, sair de casa, ligar uma das aplicações de smartphone parceiras da iniciativa e correr dez quilómetros. Ou mais. Onde fosse, à velocidade que apetecesse, à hora que desse na gana, alinhando numa equipa ou não, juntos por uma causa. Aceitaram o desafio mais de seis mil pessoas em todo o mundo. Entre elas, 106 portugueses, que contribuíram com 1090 euros. Uma migalha, mas grão a grão se enche o saco.

A solidariedade parece ganhar cada vez mais adeptos neste desporto, onde a manutenção já não basta enquanto objetivo pessoal. A Unicef já prometeu promover novos desafios. Até lá, voltará à estrada a Wings for Life World Run, primeira iniciativa do género que já prepara a terceira edição no dia 8 de maio de 2016. Aqui o conceito é diferente: há corridas organizadas em 30 e tal cidades do mundo (incluindo o Porto), mas não há meta. O objetivo é correr (ou caminhar) o máximo que se puder, até o carro-meta encostar os atletas. Quanto à inscrição, vai toda para a investigação das lesões da espinal-medula. Nas duas edições já corridas, 163.677 pessoas contribuíram com sete milhões de euros para a causa.

I.C.

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