Maratona em menos de quatro horas? Afinal o treino funciona

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Quem acompanha esta rubrica talvez recorde dois artigos aqui publicados na primeira pessoa, em agosto e setembro, divagando sobre a oportunidade de cumprir um plano de treino personalizado para cumprir um objetivo na maratona (descer das quatro horas… sim, um desafio muito mediano, mas um sonho antigo e sempre distante) e sobre a gestão do azar de um acidente doméstico (um dedo do pé partido) que interrompeu tudo a dois meses da data fatídica. Pois bem, o encontro com a resposta estava marcado para o passado domingo, dia 8, nas ruas do Porto, na mais concorrida maratona de sempre em Portugal…

Antes de mais, lugar à gabarolice (dizem que terminar uma maratona tem, no mínimo, isso, o dar-nos o direito à gabarolice): CONSEGUI! Foi por um triz, 53 enormíssimos segundos, lágrimas e festa e ufa! E agora que se calaram os foguetes, vamos às conclusões, do alto da minha curta experiência. Tinha três maratonas no currículo, uma com plano tirado da internet, a primeira, outras sem nada. E fui melhorando, mas sempre longe da barreira psicológica das quatro horas.

O plano de treino agora prescrito (e alterado alguma dezena de vezes) pelos treinadores pessoais Ricardo Bomtempo e Joel Freitas parece ter funcionado. Arrisco mesmo dizer que, se tivesse sido cumprido à risca (não foi. Diagnóstico dos PT: fui a mais indisciplinada dos alunos) e se o dedo do pé não tivesse ido namorar paredes, a conquista poderia ser maior.

O plano incluía um rigoroso calendário de treinos diferenciados, incluindo treino de potência cardíaca em rampas, no início, e em intervalos (acelerações em contínuo e séries em circuito), reforço muscular (experimentei essa violência que é o tabata, séries de exercícios intensos como abdominais, flexões, prancha, agachamentos, afundos, borboleta, enfim, um horror, em ciclos de 20 segundos), treinos longos e treinos de mobilidade.

A lesão obrigou naturalmente a suspender todo o treino de corrida em estrada. E aqui cabe agradecer a gentileza dos ginásios Kangaroo, que convidaram o JN Running a manter o treino possível dentro de portas. Houve lugar, essencialmente, a treinos em elíptica, curtos, de séries e longos (passar duas horas em cima daquela máquina é provação maior do que a maratona, é a conclusão a que chego), até o médico e os exames me darem carta de alforria, no início de outubro. E aí arrancou a indisciplina.

Cingir-se à rigidez de um plano não é, de todo, para mim. Meti duas ultramaratonas de montanha pelo meio e apenas um treino longo. E os treinadores foram adaptando regras. Até uma corrida curta provar, uma semana antes da maratona, que escolhera o caminho certo: tirando prazer da corrida, bati recordes de resistência e de velocidade. Oito dias depois, cortava a meta da 12ª Maratona do Porto às 3:59.07 de prova. E dei a mão à palmatória.

Ivete carneiro

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