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Gerês acolhe o mundo do Trail

  
A organização do sexto Campeonato do Mundo de Trail Running está confirmada para Portugal, depois de uma negociação difícil em que concorria com França e Espanha. Na madrugada de 29 de outubro de 2016, entre 300 a 600 atletas de 40 a 50 seleções nacionais partirão das pontes do Rio Caldo, em Terras de Bouro, para atravessar Montalegre e Ponte da Barca e terminar, 85 km e 4500 metros de desnível positivo acumulado depois, em Arcos de Valdevez.

O apoio dos vários municípios, encabeçados pelo de Braga, centro nevrálgico, convenceu os promotores internacionais (as associações internacionais de Ultramaratonistas, de Federações de Atletismo e de Trail Running), explica o ultramaratonista Carlos Sá, que dirige o comité organizador. Soma-se a proximidade de um aeroporto internacional e do ponto de partida da prova. E a beleza do Parque Nacional Peneda-Gerês, onde o atleta já organiza a prova multi-etapas Peneda-Gerês Trail Adventure, que servirá, em abril de 2016, de teste à logística do campeonato. A par disso, haverá provas abertas, para fazer crescer a participação no evento.

A operação está orçada em 300 mil euros e conta com o apoio de todos os municípios envolvidos, graças aos quais teria sido impossível conseguir o campeonato, lembrou José Carlos Santos, da Associação Internacional de Trail Running (ITRA), na apresentação do evento, em Braga. Também Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, disse-se “convicto de que a realização de um campeonato do mundo de trail running em toda esta zona, com epicentro em Braga, acrescenta valor ao país”.

“Não temos alta montanha, mas temos algumas montanhas com características fantásticas para a prática da modalidade”, garante Carlos Sá. “O Parque Nacional Peneda Gerês oferece todas as condições para termos um excelente campeonato do mundo. E quanto mais conheço do mundo, mais gosto do Parque Nacional Peneda Gerês. Orgulho-me de poder mostrá-lo ao mundo”.

O Trail tornou o atletismo mais rico

A aposta da Federação Portuguesa de Atletismo neste campeonato é a prova de que a modalidade ganhou relevância. O crescimento anual do trail em Portugal está nos 30%, quer em praticantes, quer em eventos, diz José Carlos Santos. As provas de montanha “já representam 60% de todas as provas fora de estádio. Era inimaginável há cinco ou seis anos”. A modalidade “casou” este ano com a Federação Portuguesa de Atletismo, cujo presidente fala em enriquecimento. O atletismo foi “sempre caracterizado como a modalidade de pista, olímpica, dos campeões. Novas variantes trazem uma riqueza imensa. [E é isso] que vai tornar o atletismo a modalidade mais praticada no mundo”, diz o dirigente, que aponta como objetivo ter “um dia todos estes grandes atletas [do trail] filiados”. “Hoje o atletismo é mais rico”.

Ivete Carneiro

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