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Abutres com menos vagas, para ser “épico”

Trilhos dos Abutres Edicao 6696

Menos vagas e um sorteio. A corrida aos Trilhos dos Abutres, passa a redundância, promete ser ainda mais renhida – no ano passado esgotou em oito horas… Aquela que é uma das provas mais míticas do calendário nacional de corridas de montanha virou claramente a aposta para a segurança para a edição de 2016, marcada para30 de janeiro. Depois de uma quinta edição dura, em que só terminaram 40% dos participantes, o objetivo da organização é reduzir a pressão sobre os trilhos, já de si duros, da Serra da Lousã, pelo que haverá menos cem vagas para cada uma das provas.

No ano passado juntaram-se em Miranda do Corvo 1800 participantes. “Achamos que foi um volume grande para a serra e para a tecnicidade do percurso”, explica-nos Tiago Araújo, falando em “vagas por critério”. Hoje é dia de se inscreverem na prova de 50km (2500 D+ e um tempo limite de 13 horas) os associados da Associação de Trail Running de Portugal (ATRP), aceites por ordem de inscrição. Trata-se de corredores que já têm um mínimo de conhecimento da modalidade. No caso dos 25km (1500 D+ e 10h) não há inscrições reservadas à ATRP.

Parte das vagas restantes estão reservadas para a organização e para atletas totalistas, que marcaram presença nas cinco edições anteriores, havendo ainda um lote de inscrições limitadas a estrangeiros (100 na ultra, 50 na mais curta), numa clara aposta de internacionalização. Amanhã, a corrida maior abre ao resto do mundo, devendo uma seleção fazer-se por sorteio no dia 13 de novembro. Haverá lugar a vagas solidárias, revertendo para a Casa do Gaiato e para os Bombeiros Voluntários de Miranda do Corvo. “Queremos criar uma situação de equilíbrio, evitar por exemplo ter nos 50km muitos estreantes na distância”. A prazo Tiago Araújo admite mesmo introduzir essa exigência: ter ultras no currículo.

O organizador recorda a edição passada para justificar os cuidados. Mais de metade dos atletas ficou nos 30km. “A situação climatérica que se fez sentir nesse dia não se fez sentir em mais nenhum dia do ano. Tinha que ser naquele dia. Sobretudo em termos do caudal de água. Até às cinco da manhã, a prova esteve considerada cancelada. Aí, um grupo de 20 elementos foi distribuído pelo percurso. Foi necessário cortar árvores e reconstruir uma ponte e alterar percursos… A progressão ficou mais lenta, tivemos que barrar os atletas. O diretor de prova foi à zona mais alta da serra e percebeu que a situação era muito má. Não podíamos arriscar passar a barreira horária”, conta-nos Tiago.

Questionado sobre a escolha da data de realização da prova – os Abutres são lama e lama e lama e chuva e dureza no expoente máximo -, o organizador diz ter sido um mero acaso. Quando os Trilhos foram criados, era uma data afastada de outras provas. “Acabou por ganhar características diferentes” e ficar rotulada por ser como é. “Também não é uma prova de massas. Queremos sobretudo que ofereça qualidade”, diz, garantindo como qualidade a segurança. “A maior parte de nós foi ou é bombeiro”.

Outra determinação dos Abutres é fazer dos Trilhos uma “Zegama à portuguesa”. Com gente a ver, apesar do mau tempo. “Já temos muita assistência, apesar das condições meteorológicas. Este ano queremos mais e preparámos um kit para acompanhantes, com transporte gratuito ao longo do percurso, para aglomerar público nos pontos de maior interesse.” Pensados a uma distância de dez anos, os Trilhos dos Abutres são um caso de sucesso. Arrancaram com 300 pessoas. Dobraram parada no ano seguinte. Em 2015, foram 1800… E já trazem à região uns bons milhares de pessoas para todo o fim de semana. Em 2016, há uma promessa: “será épico!” Antes disso, está convocada uma tertúlia para dia 28 de novembro. Para se falar de montanha. E há tanto para dizer sobre aquela montanha…

Ivete Carneiro

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