Pedro Lizardo, o “realizador” do trail

Quem corre já se cruzou, de certeza, com os pequenos filmes de provas de Pedro Lizardo. São curtas obras de autêntica arte, feitas com várias câmaras e, agora, até do céu, com um drone conseguido através de uma fulminante operação de crowdfunding, o que só diz do muito que o trabalho de Pedro é prezado na comunidade de corredores. E são tanto mais obras de arte quanto são feitas enquanto ele corre. Resolvemos descobrir quem é Pedro Lizardo e por que opta por um não tão bom resultado nas corridas para, em contrapartida, premiar os outros com imagens bem montadas.

Pois parece que a opção veio logo do princípio. Pedro calçou as sapatilhas em 2012 e pouco depois metia-se num trail na Serra da Estrela. Levou a Gopro. E levou-a sempre, até que lha roubaram – a tribo tem disto, também. “Podia ter ficado por ali” o prazer de fazer pequenos filmes, ele que até tem uma formação para aí virada. Mas não. “Pá, tudo bem, perdi a câmara, não parti uma perna”. Foi a oportunidade de adquirir um equipamento melhor. E nós, os outros, agradecemos.

Certo dia, foi ao Trilho dos Abutres – para quem não sabe, é a prova mais enlameada do calendário  nacional, ali nas entranhas da beleza da Lousã – e fez “um vídeo já com uma câmara nova, com outras condições, e teve algum sucesso…” Pedro diz isto assim, com a simplicidade de quem está do lado de lá da objetiva. Teve sucesso.

“Uma prova de trail já é desafiante por si. Se juntarmos a isso captar imagem de uma forma que depois resulte, torna-se mais desafiante ainda. É muito fácil eu agarrar numa Gopro, pô-la no peito ou na cabeça e vou fazer a minha prova e não estou preocupado, troco as minhas baterias e aquilo filma. O problema é que o resultado depois é um resultado completamente diferente”. É o resultado, em suma, da imensa maioria dos vídeos que se veem por aí, uma súmula de filmagens tremidas coladas a uma canção qualquer. “Não há o amigo que está a passar, não o plano fixo da flor, não há as árvores, não há um plano aberto…”

Pedro Lizardo admite. “Sou forçado a condicionar as provas, mas é uma coisa que faço com gosto”. E evolui, talvez não nas classificações, mas na realização. Puxado pelos amigos, lançou uma campanha de crowdfunding para ter um drone que melhor mostrasse à tribo o que a tribo faz. Projetou mil euros para dois meses, conseguiu-os em… sete dias! Humilde, Pedro diz-se surpreendido. E promete “continuar” a evoluir. “Tanto quanto a comunidade e o interesse das pessoas pelo trail e pelo meu trabalho continue a existir”. Parece-me que não deves ter dúvidas, Pedro…

Ivete Carneiro

 

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