Um prova fraca num país incrível

  
Pedro Conde foi para o Japão com duas vontades: a de conhecer um país diferente e a de contrariar uma lesão recente na subida ao famoso Mt Fuji. A lesão levou a melhor sobre a segunda, mas Pedro regressa fascinado. Parou aos 100km de uma prova de perto de 170, sem parecer melindrado, e foi conquistado pela descoberta da forma de estar nipónicas. Mas nada melhor do que ler as palavras que nos enviou desde Tóquio. Quanto à prova, Pedro, ganhou o bom senso e isso é sempre uma enorme vitória.

“O Ultra Trail Mt Fuji, uma prova pertencente ao World Tour e que traz ao Japão dos melhores atletas actuais desta disciplina, este ano não fugiu à regra. É uma organização North Face mas nada comparada com a que a marca organizava em Chamonix, nem no tamanho, nem no ambiente.

Só posso falar dos primeiros 100km do percurso, que foram os que fiquei a conhecer. São muitos km em que se pode correr – e falo em correr em plano em alcatrão e estradões – com subidas e descidas curtas e bastantes íngremes. Pelo que me contaram, os 70 que faltavam também eram assim, numa edição complicada pela muita chuva que tornou o terreno pesado e escorregadio num prova onde, lembro, não são permitidos bastões. Era bonito o ambiente que se vivia nos abastecimentos e em alguns pontos do percurso, mas nada de fora do normal. Quanto à beleza natural, além da parte inicial junto do lago, entra -se em densa vegetação que não permite ver nada, numa “escuridão” agravada pelo dia cinzento e chuvoso.

Em resumo, foi uma prova que não me trouxe nada de novo. O conselho que deixo é que se a ideia for propositadamente ir ao Japão fazer a prova, não vale a pena. Agora se for para conhecer o país e fazer a prova como “bónus” isso sim, porque não sendo assim temos outras opções bem mais em conta e melhores.

Mas, longe dos trilhos, o Japão, o seu povo e Tóquio valem sem dúvida a visita, o tentar conhecer e entender, que nos obriga a ser japoneses no Japão, esta fantástica maneira de estar. Tóquio é uma cidade com uma vida incrível, grandiosa, segura, que é “dia durante a noite” e acima de tudo sabe receber de forma fantástica.”

Pedro Conde

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