Pedro Conde no Monte Fuji

  
Lembram-se de um louco que, há coisa de um ano, se lançou a atravessar a Ilha Da Reunion, em pleno Indico, debaixo de temperatura de pôr os olhos fora de órbita e com um desnível infernal? Sim, Pedro Conde e a Diagonale des Fous (loucos). Pois bem, não lhe pareceu suficientemente exótico. Às 5 horas desta sexta-feira arranca para mais 168 km, desta vez lá bem no país onde cinco são 13 horas e onde a progressão promete deixar qualquer um de olho em bico. Parte à conquista do Monte Fuji, no Japão. Ele e mais dois portugueses, Lourens Naudé e Raquel Afonso, que se seguem a António Silva, participante no ano passado. Falámos com o Pedro já ele aterrara no Japão. E perguntámos-lhe porquê.

“O Ultra Trail do Mt. Fuji surge na mesma lógica da Diagonal de Fous do ano passado, dentro do conceito de férias/provas em família, voltava a encaixar nos requisitos: novo continente, nova prova de 100 milhas e, principalmente, um país que tínhamos curiosidade enorme em conhecer”.
Ponto prévio: haverá melhor forma de descobrir o mais isolado de um país do que correndo por ele fora?

“Pelo que consegui saber, é uma prova muito bem organizada, este ano a estrear o mês de Setembro, porque tinha sido até agora em Abril, altura em que as árvores estão despidas e há pouco verde. Além de possivelmente termos agora temperaturas mais agradáveis…”

Esperamos pela chegada para que nos confirmes essas cores…

“É uma prova considerada rápida, em que podemos correr em grande parte do percurso… se as pernas aguentarem. Alguns abastecimentos estão separados cerca de 25km o que, espero, confirma isso… assim como os tempos finais das edições anteriores! Por isso posso considerar mais “fácil” – se se pode usar este termo numa prova de 170km e pertencente ao circuito do World Tour – do que a Diagonale, que foi muito técnica, com mais desnível e um clima mais quente, sendo que aqui também não são permitidos bastões!”

A malta recorda-se do teu sofrimento, o chão pedregoso, o sol inclemente do Índico…

“Além disso este ano não estou sozinho! Somos três portugueses a correr no país do Sol nascente, vou ter a companhia do Lourens e da Raquel, o que é sempre muito mais agradável 😊”.

O objetivo, dizes, é acabar. E só depois pensar no melhor tempo.

“Desta vez parto limitado por uma lesão que me surgiu há umas três semanas e que espero não atrapalhe o rendimento e o objectivo”.

E então o Japão?

“Surpreendeu-me pela positiva. É um país extremamente disciplinado, a simpatia, educação e civismo dos japoneses é impressionante. Mesmo não conseguindo comunicar em inglês, tudo fazem para ser prestáveis! As cidades são extremamente limpas. Tudo bem pensado, estudado, organizado ao pormenor. A alimentação é que é mais difícil de adaptar, principalmente antes da prova, porque depois vai ser para experimentar de tudo 😊 Outra situação diferente e muito é a condução, alugamos um carro que aqui são com volante à direita e a condução é feita à esquerda, além da dificuldade de perceber muita da sinalização 😊 Tóquio é uma cidade impressionante quer pela sua dimensão quer por albergar mais do que a população portuguesa. Depois de no 1º dia a ter atravessado de carro, o que me levou cerca de 5h (para 50km), acredito que vou gostar de ficar depois da prova…”

E nós vamos gostar de ler o que nos escreveres, Pedro. Até lá, corre por esse monte acima e traz-nos flores.

Ivete Carneiro

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