Maratona: a evolução e… um acidente. E agora?

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(Foto: Atletismo)

Há um mês, publicámos neste espaço um artigo relativo à eficácia de se submeter a planos de treinos para concretizar objetivos. O objetivo proposto era a Maratona do Porto, que se corre a 8 de novembro. E o desafio era descer das quatro horas, um tempo muito mediano e praticamente acessível a qualquer pessoa que corra com regularidade. Pois bem, como tudo na vida, os objetivos estão sempre sujeitos a imponderáveis: um acidente doméstico perfeitamente estúpido resultou num dedo do pé partido. E se um dedo do pé partido não faz diferença nenhuma na atividade diária, garantimos que faz toda a diferença na prática de desporto.

O plano traçado pelos treinadores pessoais Ricardo Bomtempo e Joel Freitas incluía um rigoroso calendário de treinos diferenciados, incluindo treino de potência cardíaca em rampas e em intervalos (as chamadas séries), planos de reforço muscular (em várias modalidades), treinos longos e treinos de mobilidade,. Tudo com um acompanhamento rigoroso que obriga a cumprir calendário e a registar o que é feito. No fundo, fomos obrigados a largar o sofá. E custou. Horrores. No momento alto do aumento da carga (maior número de saídas, mais tempo, mais rápido), há sempre aquele momento em que atiramos a toalha ao chão e telefonamos ao treinador pessoal pedindo misericórdia, em que choramos para concluir uma corrida de duas horas, em que a única coisa que se nos afigura sensato é ir ao cinema e mandar as sapatilhas à fava. E também acontece descobrirmos que parar três dias pode ser miraculoso.

Ao cabo de mês de meio de progressão, havia já a assinalar progressos: a velocidade da corrida confortável (daquela que se afere pela conversa: correr na letra e na risota, sem cansaço), mormente após um período de descanso, subiu consideravelmente. Ora, consideravelmente, para a autora destas linhas, é uma enormidade de cerca de 30 segundos ao quilómetro. Paralelamente, num teste feito em prova, constatou-se uma facilidade aumentada para vencer desníveis urbanos. E a capacidade de terminar maratonas de montanha sem aquela terrível sensação do dia seguinte de que andámos a carregar pianos durante um fim de semana inteiro.

Não estava, contudo, provado que tudo isso resultasse num menor tempo à maratona. Até que uma parede se interpôs entre o futuro e o pé. Desistir? Não. A Maratona é dentro de mês e meio. Mas, e agora, senhores PTs, como é que se contorna isto? Ivete Carneiro

1 comentário

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  • Mário Casimiro Paiva

    19.9.2015

    A resposta para o seu problema é o aquarunning, isto é, a corrida na água (na piscina de preferência) efetuado com um colete ou cinto flutuador que permite desenvolver um gesto técnico idêntico, sem qualquer atrito no solo e com um custo energético idêntico ao da corrida normal. A prescrição do treino no aquarunning deve ter em consideração a continuidade dos métodos já utilizados no processo de treino. Ao longo da minha carreira de treinador utilizei por diversas vezes este meio de treino com resultados fantásticos, uma vez que a forma desportiva dos atletas envolvidos não sofreu qualquer regressão e até evoluiu. Existem várias fases de abordagem a este tipo de treino que necessitam ser desenvolvidos com parcimónia. Na fase final deve ser efetuado um treino misto, no solo e na água. Se necessitar de ajuda estou ao dispor em http://www.treinointegral.com. Mário Paiva