Três insanos à solta no Monte Branco

Aires, Hugo e Diogo

“Somos tão fortes quanto o nosso elo mais fraco, mas também somos tão fortes todos juntos”. Aires, Diogo e Hugo arrancam esta segunda-feira para uma aventura “insana”. “Porque só gente doida se iria meter nela”: 308 km em alta montanha, a contornar o Mont Blanc, nos Alpes franceses, italianos e suíços. Meteram-se nela porque um dia, faz agora três anos, Aires Barata, hoje com 39 anos, estava em Chamonix à espera do sinal de partida para a não insana aventura de 168 km do Ultra Trail du Mont Blanc e Hugo Rocha (33 anos) estava por ali de férias e viram, juntos, umas valentes mãos cheias de doidos arrancarem para a Petite Trotte à Léon, uns dias antes da prova mãe. O nome até poderia dar a entender que seria uma brincadeirinha, mas Aires pensou logo, não, este ambiente, esta gente a partir e a chegar, esta é a prova dos crescidos, quando formos grandes temos de fazê-la.

Aires e Hugo cresceram, conheceram Diogo Tavares (37 anos) numa prova portuguesa e, três anos depois, estarão numa manhã de Chamonix com dez quilos às costas, sem tenda para não aumentar o peso, com uma causa solidária em mente e 308 km e perto de 27 mil metros de desnível positivo acumulado para “gastar” em 142 horas, em autonomia. Pelo meio de todos esses dias, haverá “três ou quatro postos obrigatórios, onde temos um abastecimento e controlo por razões de segurança”. O resto, está prometido, será sem pressas: “Aquilo que nos move mais é passar o máximo de tempo possível na montanha e em sítios a que provavelmente não conseguiríamos ir na vida.”

Na inspiração levam Pedro e Lourenço, os dois portugueses que Portugal ficou a conhecer porque lhe aconteceu estar a atravessar montanhas quando o Nepal tremeu fatalmente, há meses. “Atravessar montanhas é o que vamos fazer”, explicam-nos, ainda que as que Pedro e Lourenço atravessam todos os dias na ajuda humanitária num país devastados sejam muito maiores. Como a Insana Aventura assentou na angariação de patrocinadores – a participação tem um custo estimado de cerca de 3000 euros, que até podiam investir sem apoio, contando que ficassem, depois, uma série de meses “a pão e água” – os três amigos resolveram doar 10% do eu conseguissem. E são mesmo 300 euros que vão ser enviados para os jovens voluntários.

Uma missão eu ajudará seguramente Aires, Hugo e Diogo a enfrentar os Alpes. A brincadeira é uma aventura seguida num gigante de respeito que consegue impor mudanças de clima quando menos se espera, onde neva e faz frio, onde chove e faz sol, onde as pistas não estão marcadas e a progressão depende da correta leitura dos GPS, onde uma falha no material pode ser fatal, onde o “jogo de cintura” vai ser obrigatório, acreditam. “Porque tudo o que planeámos não vai acontecer…”

Fica uma promessa: os três amigos vão filmar a viagem e prometem editar um documentário para mostrar a toos os que acreditaram neles a aventura em eu se meteram. Sem medos, juram.

Catarina Cruz e Ivete Carneiro

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