Planos de treino: o segredo do sucesso ou a banha da cobra?

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Certo dia, à margem de um workshop de libertação miofascial, falou-se no objetivo maratona. A distância já foi cumprida algumas vezes, ao ritmo calmo de quem quer chegar ao fim com um sorriso. Os planos de treino clássicos, descarregados na internet, tinham sido testados na estreia e as maratonas seguintes, sem planos nem treinos específicos, tiveram resultados melhores, ainda que sempre acima da psicológica barreira das quatro horas, esse distante objetivo. O plano não funcionou? A habituação faz milagres? Os personal trainers Ricardo Bontempo e Joel Freitas lançaram o desafio: o plano tem de ser adaptado a cada corredor e acompanhado, disseram, dispostos a prová-lo, desde que, deste lado, cumpríssemos. Aceitámos, decididos a descobrir se, afinal, estas coisas passam mesmo da banha da cobra.

Começámos em meados de Junho e, desde aí, passámos por tudo: testes de sprint, corrida intervalada, corrida com inclinação, correção presencial de técnica de corrida e respiração, reforço muscular (com PT e no conforto de casa, onde é permitido deixar as lágrimas subir aos olhos em exercícios hediondos como a borboleta…), um programa de corridas ajustado aos horários pouco nobres de um jornalista, às provas ocasionais, aos sintomas de lesões, à falta de vontade, porque isto dos planos de treinos – e quem já experimentou sabe do que falamos – é um extraordinário teste à resistência psicológica (e há o maldito sofá, que nos olha quando calçamos as sapatilhas, que nos chama à razão, isto de correr não faz bem a ninguém…). E é precisamente aí que nos parece entrar, a dois meses e meio da prova de fogo, a vantagem de um treino personalizado: temos companhia para superar tarefas perante as quais, sozinhos, desmotivaríamos de certeza. Quem no seu perfeito juízo gosta de fazer séries? Pois, nem nós. Além de que, nos episódios que são cumpridos sem o treinador (quatro em cinco, na verdade), temos de registar a nossa prestação e envergonhadamente dar conta dela. Para que o plano seja ajustado, para nos queixarmos, ou, simplesmente, para levarmos nas orelhas…

Nos intervalos do esforço, aprendemos técnicas de mobilidade e libertação miofascial que ajudam a recuperar e a contrariar eventuais lesões, inevitáveis quando se aumenta a carga de treinos.

Posto isto, perguntarão, e? Mês e meio depois de aceitar o desafio e de progredir muito suavemente no esforço, fizemos uma reavaliação intercalar de parâmetros. E, garantem os PT, nada disto foi em vão. Na resistência em corrida estamos melhores 20%. Na capacidade de subir (que é um importante complemente de trabalho cardio) fomos uns espetaculares 10% mais alto! E no plano fomos 10% mais rápidos. Bonito, mas com um aviso, a partir de agora as melhorias serão mais paulatinas. E tudo isto, acrescentamos nós, pode resultar do simples facto de desdenharmos os apelos do sofá… Daremos conta da evolução dentro de algumas semanas. Mas só no dia 8 de novembro poderemos confirmar a validade do investimento.

Ivete Carneiro

 

1 comentário

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  • Vera Augusto

    14.8.2015

    realmente custa, mas vale a pena… só mais uma coisa fundamental: que este esforço seja com um objetivo de fazer o que se gosta. Eu estou a seguir um plano, não é tão forte como o que foi descrito, acredito que se o fizesse, obtinha a tão sonhada maratona em menos de 4horas muito mais facilmente(a minha 1ª foi em 4h07 e a 2ª em 4h12). Contudo, estou com fé nas minhas perninhas e na minha cabeça, muito importante para qualquer desafio! o meu objetivo será posto à prova mais cedo, este ano não farei a do Porto e sim a de Lisboa. Vamos lá ver…PS: acho que vou atirar o sofa pela janela… :P
    bons treinos
    verinha