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Gaya Legendary ou correr no segredo das encostas do Douro

  

  
André Oliveira corria por ali, porque era o que tinha à vista: a marginal fluvial de Vila Nova de Gaia. Até que se cansou da monotonia e ousou penetrar naquilo que parece um mistério na encosta que ampara o Rio Douro na sua lenta morte até ao Atlântico. E descobriu percursos rurais naquela que é das maiores selvas urbanas do país. “Com vistas fabulosas!”

Fez daquilo o seu quintal de treino e, este ano, resolveu mostrá-lo ao mundo. Fomos acompanhá-lo da revisão do início do percurso do Gaya Legendary Running e saímos de lá com os músculos aquecidos como se nos tivessem posto numa montanha.

A corrida arranca às 19 horas do dia 5 de setembro da Douro Marina e embrenha-se logo ali na vegetação da reserva natural do Cabedelo para depois subir uma encosta selvagem – selvagem, mesmo, a exigir força de braços – até à torre da Seca do Bacalhau. Descobrimos que Gaia, afinal, pode ser bucólica. Entre curvas e contracurvas, sobe e desce, muros aqui e ali, atravessa-se campos, mato, bosques com vista para casas apalaçadas abandonadas de que só falam sair fantasmas, até encontrar de novo a civilização, na pacífica Afurada das encostas quebra-costas. E isto sempre com vista para o rio e a margem de lá, à luz do luar.

“Gaia tem imenso potencial. Quis aproveitar todo aquele mato da Arrábida e as quintas devolutas do interior da Afurada para mostrar àqueles que têm receio do trail que é possível experimentar na cidade”, conta-nos André, responsável pelo já afirmado sucesso do Ultra Trail do Douro e Paiva, em Cinfães. O que tem ali para nos propor são trilhos técnicos mas fáceis, em 13 ou 23 km de distância, com 180 ou 450 metros de desnível positivo, ou seja, no total dos percursos, subir tanto como do mar aos 180 ou 450 metros. Na cidade, insistimos. Entre bosques e casas baixinhas, campos, um castelo de antanho algures numa colina, uma capela, a famosa rampa da Senhora da Luz e, lá em cima, uma auto-estrada sobre uma das mais belas obras de engenharia do país, a Ponte da Arrábida. Pelo meio, haverá um abastecimento nas caves Churchill, com direito a Porto Tónico na meta.

As inscrições (10 e 13 euros) encerram no próximo dia 17 e valem, cada uma, uma contribuição de um euro para a Cercigaia. À margem, a festa inclui corrida para miúdos, música, zumba e body combat na Douro Marina. Os participantes só têm um dever: levar frontal, que a luz, naqueles bosques, é coisa que não há. De todo.

Ivete Carneiro

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