Hugo vai a Chamonix testar o treino de Tiago Aragão

Hugo Duarte Teixeira tem o percurso de todos. Começou a correr, começou a evoluir, começou a querer mais, começou a aventurar-se. Até que, como todos aqui também, chegou àquela parede junto à qual seguimos certos e seguros, mas sem evolução. O drama está nos sonhos, que esses não veem paredes. Veem sempre para lá delas. Hugo ouviu os sonhos e inscreveu-se no Ultra Trail do Monte Branco, na sua versão CCC (Courmayeur-Champex-Chamonix) de 101 km. E entendeu que sozinho, ele mais o sonho, não iria lá.

“Senti que precisava de outro tipo de acompanhamento” e as soluções, nestas andanças, são conhecidas. Procurou Tiago Aragão e o seu Centro de Treino e Avaliação Desportiva (CTAD), na Maia. Foi lá que o cruzámos, quando tentámos perceber o que é isso do treino personalizado. Parece simples, mas não é.

Numa das paredes da sala, repleta de máquinas ligadas a computadores e ecrãs a debitar gráficos ilegíveis, está uma t-shirt emoldurada. Diz Marathon de Paris 2015. “Ela dizia que não iria conseguir, que não iria conseguir, e conseguiu”. Tiago avaliou a atleta, definiu o que lhe fazia falta, encheu-lhe uma folha excel de ordens para cumprir e levou-a à meta na Avenue Foch. É isso que o treinador diz procurar.

“Sempre tive o fascínio de trabalhar nesta área da manipulação do treino, da alteração do atleta e de conduzi-lo em direção aos objetivos dele, sempre na procura da otimização dos rendimentos”. A Hugo impôs um “trabalho mais rigoroso” e “um treino mais condizente com o desafio” Monte Branco. Porque até aqui Hugo treinava sem grande linha orientadora, na senda da diversão pura com o grupo de amigos de sempre, mormente no quintal de treinos do Porto e arredores, a Serra de valongo.

Depois de entrar na vida do CTAD, já o encontrámos na lógica simples do treino de estrada, numa marginal.
O treino acompanhado será isto, saber que nem tanto à terra nem tanto ao mar, que correr bem não é correr muito, sequer. E é, sobretudo, correr partindo de uma base de conhecimento muito ampla, construída na avaliação inicial e subsequente: um questionário informal sobre hábitos de treino (frequência, tempo, distância), outro sobre dados pessoais (incluindo os básicos de saúde e a terrível avaliação da massa gorda, geral localizada) e um teste ao consumo de oxigénio, entre outros. “E com isso determinar os ritmos de treino” e um plano gerido por email.

Funciona? No dia 28, Hugo dir-nos-á. “Acabar. Tudo o que vier acima será muito bom…”

Ivete Carneiro

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