Testámos as Skechers GOrun Ultra e GOrun 4

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Skechers GOrun Ultra

 

Presentes no mercado do calçado desportivo há já algum tempo, os sapatos de corrida da skechers pouco se destacavam de mais uma marca a tentar posicionar-se num mercado já bastante tomado pelas principais marcas e com forte concorrência das chamadas marcas “brancas” das grandes superfícies desportivas, que apostam na componente preço. A Skechers, num patamar de preço bastante acessível, gerava desconfiança devido aos materiais aparentemente pouco resistentes, por serem moles, e porque os corredores são habitualmente desconfiados relativamente aos preços. Sabemos que nem sempre o que é caro é melhor, mas quem compra caro sente-se reconfortado. Escudamo-nos muitas vezes na máxima do “fraco atleta, mas bem equipado”.

Testamos as GOrun Ultra e as GOrun4 e pudemos constatar que a componente em que é construída a sola dá uma sensação de esponja sob os pés. O tipo de piso que calcorreamos perderia importância não fosse a obrigatoriedade de redobrar a atenção aos buracos ou pedras soltas, já que a parca proteção (ou correção) lateral não evita que o pé resvale ou faça o movimento de torção, sempre que nos distraímos e não apoiamos toda a sola. A leveza e a maleabilidade dos tecidos, por outro lado, tem um custo: as sapatilhas alargam com facilidade, tornando-se algo dançarinas em piso incerto e propícias, mais uma vez, a torção.

Mas em termos de adaptação ao movimento de corrida, a sola ovalizada, com a teconologia e Mid-foot-Strike™, é desenhada para uma passada quase perfeita. Para corredores lentos, eventualmente pesados, que pretendam manter a integridade dos pés em corridas mais longas, são uma escolha adequada. A marca apresenta as GOrun Ultra como modelo de transição para trail, ainda que não verdadeiramente adaptadas (a prazo, a Skechers prepara um modelo específico). Experimentámos usá-las em algumas provas de montanha. Com boa aderência em pedra seca ou molhada, são todavia patins autênticos em lama, obrigando a cuidados redobrados e pecando pela já referida parca proteção lateral, e mesmo frontal. Como no trail as descidas são mais acentuadas e o piso irregular, o facto de o pé pressionar o tecido lateral fez com que este cedesse e rasgasse algo prematuramente. A sola, essa, continua em excelente estado. Na versão Nite Owl, representam um excelente complemento de visibilidade em treinos noturnos (sim, são talvez demasiado vistosas para corridas diurnas).

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Skechers GOrun 4

 

As GOrun4 revelam, por seu lado, um pormenor curioso, de modo a satisfazer aqueles que procuram algum minimalismo. Com um drop baixo (diferencial entre o calcanhar e os dedos de 4mm) e uma sola mais fina do que as Ultra, são vendidas com duas palmilhas, para que cada um adapte a sapatilha ao seu gosto. Sem a segunda palmilha, são de uma leveza extrema (221 gr para tamanho 42 homem), mas protegem menos do impacto. E são claramente direcionadas para a estrada pura. Mais uma vez, destaca-se uma forma larga.

Em suma, a relação preço-qualidade faz das versões Ultra e 4 uma boa escolha na hora de decidir quanto investir em calçado de corrida confortável e prolongada.

Do casual aos Jogos Olímpicos

Para melhor perceber de onde vem a marca, entrevistámos Javier Gutierrez Lodos, responsável de Marketing e Relações Públicas da Skechers Ibéria.

Como nasceu a Skechers?

A SKECHERS USA, Inc. foi fundada por Robert Greenberg e pelo seu filho em 1992. Em poucos anos tornou-se numa marca líder mundial que desenvolve, produz e comercializa uma ampla gama de calçado casual, desportivo e de moda para toda a família. Tem uma faturação de dois mil milhões de dólares. Desde a criação que a empresa tem vindo continuamente a introduzir novas categorias e novas divisões de produto. Há três anos centrou-se no setor de fitness e calçado técnico e desportivo e é hoje a segunda marca de calçado desportivo mais vendida na União Europeia e a quinta a nível mundial. Nos EUA é apenas ultrapassada pela Nike.

Porquê a aposta na corrida?

Acreditamos que é essencial utilizar o tipo de calçado adequado para cada situação. Por isso apostámos no crescimento da Skechers Performance Division (SPD), que lançou em 2010 o primeiro par de sapatilhas de running. Desde então, a empresa tem vindo a investir em investigação e desenvolvimento em torno da estabilidade, amortecimento e leveza, centrando-se na simulação e benefícios de correr descalço. As tecnologias SmartShoe™ (na gama GOwalk) e Mid-foot-Strike™ (na GOun) permitem a redução do impacto do calcanhar, permitindo uma passada feita com a parte central do pé e, por isso, muito mais natural.

A aposta parece ser no conforto, mais do que na performance, até. A leveza afeta a durabilidade?

A Skechers conseguiu modernizar o conforto ao longo dos últimos anos e é algo que, sem dúvida, está presente em toda a coleção da marca. No entanto, o que se destaca na coleção de performance é a tecnologia Midfoot Strike. Temos modelos de todos os tipos, alguns muito leves e outros ligeiramente menos. Existem modelos como, por exemplo, as Strada que, apesar de muito leves, primam pela estabilidade e pela estrutura.

Qual é público alvo? O atleta consagrado ou o corredor de pelotão? O corredor moderado ou o de longas distâncias?

A coleção SPD de running apresenta modelos para treino, mistas e de competição, pelo que chegamos a todo o tipo de atletas, amadores que correm de vez em quando e profissionais, como é o caso do atleta olímpico Meb Keflezighi.

Ivete Carneiro e Rui Pinho

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