Porque a Lousã não tem que ser só lama

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A proposta é tentadora: percorrer os Trilhos dos Abutres ou os do Ultra Trail das Aldeias de Xisto em versão prazer. Dirão os aficionados que a versão hard core – a das provas, em janeiro e outubro, sob chuva e dentro de lama – é que é. Dizemos nós e quem se lembrou de abrir em Miranda do Corvo um Centro de Estágio de BTT e Trail Running que o trail é todo o ano e que a Serra da Lousã, no verão, continua a não ser para meninos. E tem a vantagem de não escorregar tanto. E de o banho gelado no Poço do Caldeirão ser a melhor dádiva de gozo depois de quilómetros a fugir das altas temperaturas.

Tudo isto para dizer que o Centro de Trail de Vila Nova, em Miranda do Corvo, já está aí para quem queira. Sem medos: foram marcados quatro trilhos, um de seis quilómetros, outro de cerca de nove, para quem quer perceber o que raio há nessa montanha que tanto enlouquece quem nela se embrenha, mais um de 30 (ufa! O mapa marca sete horas. Encurtámo-las depois de abancar na tasca de Espinho… Havia abastecimento…) e finalmente os abútricos 50 km que ficam para os prós.
A ideia foi oferecer apoio aos praticantes desta modalidade em “crescimento exponencial” um pouso agradável, explicou-nos o presidente da autarquia, Miguel Baptista. O Centro é isto: mapas de trilhos para descarregar, a Casa do Reis, um torna-viagem de vistas grandes, transformada em pousada, 16 camas com lençóis monogramados, um ginásio, uma bike station, uma cozinha, um jardim, uma sala de convívio e uma serra imensa, imponente, bela, húmida, verdejante, única. E aldeias de xisto, como Gondramaz.

Custou 30 mil euros à autarquia, que investiu apenas no equipamento (a casa já fora recuperada para um centro de dia que não teve a procura sonhada) a na marcação dos trilhos, a cargo da Go Outdoor. A casa, diz o vereador Rui Godinho, é apenas o edifício nuclear, “porque o centro de estágio é todo o concelho e a sua serra”. Gerido pela Associação de Baldios de Vila Nova, o centro poderá ser usado por dez euros por cama, por dia.

“Miranda tem uma prova rainha do Trail, o Trilho dos Abutres, em janeiro, que começou com 300 participantes e já vai em 1500. O que queremos é que atraia praticantes de tail running todo o ano”, resume Miguel Batista, que deixa um sinal aos homólogos do resto do país: “É importante que estas apostas se façam em toda a região e em todo o país. O território nacional tem condições”. E deve oferecer estes apoios em rede. Penacova também tem, há 15 dias, um centro de trail e para o ano nascem outros dois em Viana do Castelo, todos pela mão do ultramaratonista Carlos Sá. Haverá melhor forma de promover o país sem estar a depender do calendário?

Ivete Carneiro

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