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Nas Poldras com Joel José Ginga

Conhecemos Joel José Ginga num trilho, um dia destes de corrida descansada, porquanto ele, como nós, é dos que tira fotos e chapinha nas poças. E Joel é isto que se segue, uma sequência de verdades curtas e claras, ditas simplesmente, com a calma com que percorre montes e vales por paixão. Joel José foi a Fataunços porque já lá tinha reencontrado uma linha de comboio perdida quilómetros antes. Sim, a linha, não o comboio. E conta paisagens bonitas e um encontro imediato com uma matilha de cães (quando o conhecemos, fugia de bois na Freita…). Desafiámo-lo a contar-nos o Trail das Poldras.

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Já tinha passado uma vez por Fataunços. Um dos meus amigos casou-se em Campo de Besteiros (Tondela) e, às quatro da manhã do dia do casamento, prometi-lhe que iria visitá-lo de bicicleta.

A minha viagem, que foi uma verdadeira odisseia, aconteceu três meses depois. Parti de Aveiro de madrugada, com a minha bicicleta pesada e de roda grossa, sem preparação nenhuma, habituado a pedalar em plano. Segui a antiga linha de comboio. Ao fim de 30 km perdi o telemóvel e, com ele, o GPS. Algures em Vouzela, perdi a linha de comboio, que só voltei a encontrar em Fataunços, onde decidi apanhar a mais segura nacional até ao meu destino final.

Quando descobri que iria correr-se esta prova de trail em Fataunços, soube logo que teria de participar. E fui.

Não consegui chegar a tempo da Palestra dada por Carla André (que foi a madrinha da prova). Mas ainda apanhei as quatro badaladas do sino da igreja que assinalaram a partida da caminhada.

Admito que estava um pouco nervoso, porque era a minha primeira prova totalmente a solo. Não estava a reconhecer ninguém e todos os presentes tinham ar de quem chegaria antes de mim. Mas o bom ambiente lá ajudou a esquecer um pouco isso. E um pouco antes da partida lá encontrei duas caras conhecidas.

As cinco badaladas atrasaram-se, mas pontualmente às cinco horas partimos.

A prova começou logo a matar, com uma subida até à Capela da Senhora do Castelo, no topo do Monte Lafão, de onde se consegue ver toda a região, a que se seguiu uma descida acentuada que nos levou de novo a Fataunços e ao primeiro abastecimento de líquidos e sólidos, onde nos cruzamos com alguns dos participantes da caminhada.

Algures por esta altura reparei num problema técnico que não consegui resolver. Estava a correr de cinto, e com calções curtos que, não sei porquê, estavam sempre a subir, deixando-me algo exposto.

Começou depois a minha parte favorita da prova, sempre por estradão passámos por aldeias, muitas com casas de pedra, os habitantes a cumprimentar e incentivar, atravessámos alguns rios e ribeiros nas famosas poldras, vimos casas abandonadas no meio do nada, cobertas por vegetação.

Corri entre carvalhos, castanheiros e outras árvores e arbustos que não consigo identificar, mas que sei que farão parte da vegetação autóctone (ao contrário do pinheiro e do eucalipto).

Fizemos a antiga calçada romana de Figueiredo das Donas, onde fui salvo por duas corredoras dos Shots International Runners de ser comido vivo por quatro cães – sei que eram pequeninos, mas para mim…

Depois de outro abastecimento com sólidos e líquidos e casa de banho, lá continuámos pelo trilho do antigo Caminho de Ferro da Linha do Vouga (a desaparecida) até à meta, em Fataunços.

Acabei por não chegar em último e completei o percurso em 3h15. Um tempo ótimo para mim, tendo em conta que parei algumas vezes para tirar fotos e admirar a paisagem – que o sol de fim de tarde tornava realmente bela.

Foi uma prova rolante – não tinha quase troços técnicos. Tive de caminhar em algumas subidas, mas terminei a correr ao meu passo de caracol. Os dois abastecimentos foram mais do que suficientes e nem gastei a água da garrafa que levava pois pelo caminho havia uma série de fontes e bicas, algumas no meio das aldeias, outras não, mas as que estavam escondidas estavam bem assinaladas. Num dos troços maiores sem água, estava a organização num carro a distribui-la.

Depois de terminar, uma cara conhecida que encontrara durante o percurso teve a amabilidade de me deixar no parque de campismo onde eram os banhos.

Banhei-me, comi o Pastel de Vouzela, e o meu amigo de Campo de Besteiros, a esposa e a filha de que estão à espera foram-me buscar.

Um obrigado à organização, aos voluntários e à população. E até para o ano que vêm.

Joel José Ginga

Fotos Escola de Montanha

2 comentários

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  • Emanuel Santos

    18.8.2015

    Ganda Ginga!!!!

  • Maria Alves

    30.7.2015

    Todo o esforço é compensado pela camaradagem e pelas excelentes paisagens.
    Chegar ao fim é uma satisfação e uma grande alegria.
    Parabéns a todos os atletas.