“O exercício tem sido mal vendido”

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Pode o exercício ser um medicamento? Pode e deve, em grande parte das doenças. Esta é, porventura, a mais importante das mensagens do livro “Running, Muito Mais do Que Correr”, da autoria de José Soares, professor de Fisiologia da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, anteontem lançado.

O desafio lançado ao docente foi o de construir um livro “não especificamente sobre corrida, mas utilizando a corrida como meio de promoção da saúde”. José Soares, que não é especialista em corrida, mas acompanha atletas e tem uma especial predileção pelo exercício na doença, aceitou e procurou reunir numa só obra informações que normalmente estariam espalhadas por vários compêndios. Começa por abordar a corrida para quem quer começar, passa depois à técnica propriamente dita, com planos de treinos e dicas para aquecimento e alongamentos, por exemplo, antes de seguir para a alimentação e suplementação e entrar na saúde – lesões e exercício na doença.

“O exercício tem sido mal vendido”, diz o docente, que lamenta que o marketing aposte sempre na imagem da perfeição. “Tem sido sempre vendido para as pessoas saudáveis. Se olharmos à volta num ginásio, vemos que quem precisa não está lá. Não vemos obesos, só gente demasiado perfeita. A indústria do fitness deixa muita gente de fora”, lamenta José Soares, referindo um estudo feito nos EUA que concluiu que as pessoas não iam aos ginásio por se sentirem intimidados.

“Este livro não é para ultracorredores, nem para quem quer baixar o tempo à maratona. É para quem está a fazer coisas para chegar a fazer uma maratona”. Inclui, por exemplo, fórmulas para calcular fatores de risco – que, tem a certeza, não afastarão ninguém da corrida, porque “as contraindicações são raríssimas”. Às outras, hipertensas, diabéticas, com problemas cardiovasculares, José Soares envia uma mensagem: “há mais doentes do que saudáveis”.

O exercício tem efeitos secundários? “Tem, porque tudo tem. Mas os doentes não têm plano B. Uma pessoa com colesterol alto que não se queira mexer sabe que tem um comprimido para resolver o problema. Mas um diabético desregula a glicose, uma pessoa com insuficiência cardíaca não consegue subir escadas e não há medicação para isso. A única coisa que temos que ver é se os efeitos secundários do exercício se sobrepõem aos benefícios. E há uma coisa que tem que ficar clara, mais arriscado do que fazer exercício é não fazer”.

Ivete carneiro

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