Na Freita com as Hoka One One

  
Em maori, Hoka One One (lê-se “O-nay O-nay”) significa “tempo de voar”. A marca criada por dois ex integrantes do laboratório Salomon, Nicolas Mermoud e Jean-Luc Diard (ex CEO), quis aplicar no calçado de trail aquilo que tem sido a evolução no material de esqui e mesmo nos pneus de bicicleta, onde se vê maximizar e não minimizar a proteção. Já experimentaram andar naquelas bicicletas com pneu de grandes dimensões, em que a primeira impressão é de extremo conforto? Foi isso que os fundadores da Hoka quiseram trazer, em contraciclo com as modernas sapatilhas minimalistas.

Reviews técnicos não são comigo. Para isso existem as características no site da marca, e não sendo eu especialista no fabrico de calçado de corrida, pouco importa se a sola é feita de cortiça, pneu de automóvel ou se tem chicle (seiva) do sapotizeiro (árvore) na sua composição.

Com ou sem chicle, o que se nota logo numa primeira utilização das Challenger em trilhos de pedra é a sua elevada aderência e conforto. Na pedra seca são como ventosas, agarrando de uma forma tão forte que o mais certo é cair ficando com os pés bem grudados à rocha. Há sempre situações de queda quando corremos em zonas de pedra solta, mas aí é mais uma questão de apuramento de técnica do que da sola, sendo o mais importante não sentir as pedras por baixo, ou quando as pontapeamos. Como o teste maior e mais exigente foi feito na Serra da Freita, na versão 100 km da Ultra elite, deu para testar no limite toda a sua resistência, aderência, conforto e mesmo o teste de correr dentro de água, tantos eram os rios no percurso. A resposta deste modelo foi excelente em todos os aspetos. Confortáveis, comprovando a ideia de nada se sentir na sola dos pés ao olhar para a sua anormal elevada espessura, surpreendem também pela frescura, já que, apesar das temperaturas elevadas experimentadas na prova, nunca senti os pés “assados”. Nas descidas mais agressivas, fosse em pedra solta, lascada ou tufos de erva, transmitiram sempre a sensação de segurança desde o primeiro momento. São aparentemente resistentes – e a Serra da Freita não seja propriamente “meiga” para nenhum calçado. Em alguns dos treinos, com algumas incursões em alcatrão ou empedrado, a sensação foi a mesma de conforto e proteção. 

Não sei com que as fizeram. Sei que, para alguém com mais de 80 kg, sempre em busca de um modelo que alie amortecimento à segurança, umas sapatilhas de trail que nos deixem chegar ao fim de uma prova sem danos nos pés é fundamental e vital. Não é propriamente leveza que procuramos, mais grama, menos grama, pouco influencia, mas são igualmente leves. Aliás, o peso foi diminuído dos originais mais de 400 gr, para os atuais menos de 300. Em trilhos batizados como sendo de astecas e maias, apesar de bem longe do continente americano, na Serra da Freita, onde a única seiva que se extrai é a do pinheiro, as Hoka One One Challenger cumpriram. Excelente sapatilha, cujo design não deixa ninguém indiferente, e que singrará no exigente mercado do trail. É que, com cada vez mais atletas em busca de conquista de mais longas distâncias, sem conforto não há pés que resistam. Defeitos? Também têm, como tudo. O arrojado design não encontra meio termo, e as palmilhas deslizam bastante. Minimiza-se isto colando-as. Estranho o uso do plural? É que as Hoka vêm com duas palmilhas, para maximizar o conforto, ou para substituir. Sinceramente, elas foram saindo do lugar e não dei por ela.

São uma ótima escolha para quem procura conforto e proteção de impacto.

Rui Pinho

1 comentário

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  • Diogo Mendonça Vieira

    1.11.2015

    tenho 2 pares de hoka one one. e nos trilhos de maior distancia, sinto algum aquecimento, porem julgo que isso deve-se as meias. Quais as meias que esta a usar com a Hoka One ONe ?