O milagre da multiplicação é em Guimarães e não mete pães

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São 20.30 horas e a Plataforma das Artes, em Guimarães, começa a pontuar-se de cores fluorescentes. 20.45 horas, cinco homens deambulam, seguros, walkie talkie à cinta. À volta, cem, 200, 300, 400 pessoas, números redondos. Uma menina conduz exercícios de aquecimento. Batem as 21 horas algures lá longe e arranca o Guimarães Corre Corre, provavelmente um dos treinos mais concorridos de Portugal. À cabeça segue José Capela, ultramaratonista que corre sempre por causa (a Casa da Criança) e, neste caso, também a de “tirar as pessoas do sofá”.

E o que é isto, afinal, do Guimarães Corre Corre? É um treino idealizado por Capela no dia 10 de dezembro do ano passado. Ia ele em passo de passeio a celebrar o aniversário da classificação da Cidade dos Duques a património da humanidade, numa noite iluminada por velas. “Pode ser interessante correr assim no meio desta ambiente todo”.

Participámos no treino 27 semanas depois de ele ter saído pela primeira vez. A meia dúzia de presentes dessa primeira corrida, convocada via Facebook pelos cinco amigos (Capela mobilizou Mauro Fernandes, Jorge Lemos, Pedro Fernandes e Hélder Pinto), multiplicou-se ao infinito para atravessar o halo noturno do histórico burgo a espantar turistas, a merecer as palmas de moradores, a subir ao Castelo e a regressar, em massa, à Plataforma das Artes. É todas as segundas assim. “É curioso, no Facebook dizem uns cem que vêm e aparecem mais de 350, ao contrário do que é habitual em eventos marcados assim”.

Corre e Anda Santo Tirso

O sucesso foi tal que se multiplicou. Nasceu há umas semanas o Braga a Correr, às segundas também, depois de já ter aparecido o Corre e Anda Santo Tirso, pelas mãos de dois amigos de Capela: Telmo Sampaio Ferreira e Ana Rocha. Para quem não conhece, foi a vencedora dos 100 km de S. Mamede, em Portalegre. E porque somos curiosos, também lá fomos espreitar.

Mesmo horário, mas à terça-feira, em frente ao Tribunal. Ana conduz o aquecimento para uns 70 afoitos. Entre eles, Fátima, 63 anos e um tumor na cabeça que a determinação deixou para trás. Corre, sobe trilhos, desce rampas (Santo Tirso é curto, o treino é meio rural e cheira a erva cortada). Começou a correr porque já andava e porque a filha – Fátima é mãe de Ana – corria que se desunhava. Foi há meia dúzia de meses. Hoje, Fátima segue na frente do pelotão dos que ainda estão a aprender a largar o conforto para ir treinar à noite. Porque é isso que Ana quer, trazer as pessoas para a rua.

Ivete Carneiro

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2 comentários

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  • Paulo Moreira

    4.7.2015

    A correr todos nos entendemos, (já que está difícil a falar). Bons treinos

  • José Sousa

    3.7.2015

    Amiga Ivete Carneiro, Em Braga não se chama Braga Corre Corre, mas sim Braga a Correr, :) obrigado na mesma pela lembrança. só falta agora marcar também presença e traga amigos/as