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Perto de um milhar no Douro e Paiva


Muito perto de mil pessoas ousaram responder ao desafio de André Oliveira e alinhar, nas primeiras horas do dia 12 de Julho, na Ponte sobre um Douro ainda da cor azul do céu junto ao Porto Antigo, em Cinfães. É provavelmente das linhas de partida mais belas de Portugal, no silêncio a grandeza duriense, uma espécie de elixir para o que se seguirá. E o que sucede àquele pequeno pedaço de paraíso poderá ser o mais extraordinário inferno, em tudo o que o inferno pode ter de bom. É o Ultra Trail Douro e Paiva, que varre o vale do Bestança, tido como o rio mais limpo da Europa e que nos soa a frescura. Que sobe num infindável estradão até S. Pedro, a provar como pode ser demoníaca a subida aos céus. Que paira sobre o planalto do Montemuro, a apontar o Porto Antigo, lá numa lonjura que parece impossível e nos faz questionar a maldade divina que determinou que o Bestança não fosse ali, agora, fresco, salvador. Que atravessa a realidade preservada de antanho até nos devolver ao coração de Cinfães depois de uma descida vertiginosa por um bosque digno de Tolkien.

A segunda edição do UTDP promete repetir os percursos do ano passado, mas com grandes melhorias nas marcações e encaminhamento das várias distâncias. E são elas, além da caminhada pelo vale do rio, uma skyrace de 18 km e 1300 metros de desnível positivo, com quase 400 inscritos, um trail de 35 km e 2200 m D+ (300 participantes) e uma ultra skyrace de 64km e 4000 D+, para que partem 141 destemidos. Entre eles, as estrelas são, este ano, no feminino: Carla André, que teve uma prestação brilhante na Maratona das Areias, em Marrocos, e a septuagenária Analice, ultramaratonista que faz ver a todos que a força da vontade supera até temperarias infernais.

Sim, porque tudo isto vem com a garantia de que um dia de Julho nas encostas do Douro é uma brincadeira para atirar facilmente para cima dos 30 graus. A aposta reforçada nos abastecimentos, incluindo com produtos diferenciados em função da distância que se está a correr, para acompanhar os níveis de esforço, é uma das novidades, adiantou André Oliveira ao JN Running. Além disso, está prevista a instalação de equipamentos de frio em determinados pontos para garantir que a água estará fresca. A recomendação da organização é que os atletas se poupem nos primeiros 8km do Bestança, um trilho extraordinariamente técnico, mas rápido, sobe desce contiínuo exigindo extrema atenção, e que provoca um desgaste muito grande antes de se empreender a subida aos céus.

O UTDP  confere dois pontos para o Ultra Trail do Monte Branco e é pontuável para a Taça de Portugal de Skyrunning, da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (integrada na Federação Internacional de Skyrunning desde 1993) nas versões ultra e 18km. Outra promessa é a da presença de juízes a avaliar os primeiros classificados.

A animar, no sábado haverá body attack e body combat e jornadas técnicas, com um cocktail de apresentação do vinho verde de Cinfães.

O JN Running é parceiro do UTDP.

I.C.

Foto @Pedrobeco

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