Harriette Thompson, dois cancros, 92 anos, 16 maratonas, um recorde

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Correr uma maratona é daqueles feitos que dão a qualquer corredor uma dose vitalícia de gabarolice e só quem já correu uma sabe o que isso significa de determinação, concentração, resistência, esforço e superação. Mas só Hariette Thompson saberá o que é fazê-lo contra todas as expectativas: tem 92 anos, já correu umas quantas desde que calçou as sapatilhas, aos 76 anos, apesar de, entretanto, ter tido dois cancros. O tratamento do último ainda se nota, nas feridas abertas que tem nas pernas.

Na ultima Suja Rock’N’Roll Marathon de San Diego, na Califórnia, há duas semanas, Harriette correu de leggings brancos protetores. Ao cabo de 7 horas, 24 minutos, 36 segundos e 42.195 metros, cortava a meta ovacionada pelos presentes. Harriette acabava de bater o recorde da idade na maratona feminina. A rir.

Harriette tem alguns segredos. Um deles é a guerra conta o cancro. Perdeu o marido para a doença, em janeiro. Tem um filho doente. É sobrevivente. Por tudo isso esta lutadora da Carolina do Norte corre por uma causa: em 16 anos, já angariou mais de cem mil dólares para a Sociedade de Leucemia e Linfoma. Este ano, correu com a memória do esposo Sydnor.

Outro segredo é a música. Harriette é pianista e corre com Rachmaninoff na cabeça. Imaginado por ela, sem auscultadores. E o piano, garante, é bem mais difícil do que correr, mesmo que se trate de uma maratona… “Ser positivo ajuda…”

Desde que começou a correr, só falhou uma maratona em San Diego – faz uma por ano desde 1999 – por estar em tratamento. Espera regressar em 2016.

Perante Harriette, será possível arranjar desculpas para rejeitar os desafios da superação, sejam eles quais forem?

I.C.

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