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Como escolher uma bebida desportiva ou gel?

drink696

Ponto prévio: em atletas de endurance, as bebidas e géis desportivos devem ser utilizados quase exclusivamente em prova e não em treino, salvo raras exceções. E em provas acima de uma hora de duração, a ingestão de hidratos de carbono  torna-se imprescindível para potenciar a performance. Mas serão todas as bebidas desportivas e géis iguais?

Não necessariamente. O nosso organismo não consegue absorver uma quantidade superior a 60 gramas de glicose por hora. Ou seja, uma taxa de ingestão acima desse valor durante a prova não se traduzirá num maior aumento da oxidação de hidratos de carbono e poderá induzir um stress gastrointestinal desnecessário.

Como contornar esta situação?

Estando os transportadores intestinais de glicose saturados, torna-se necessário recorrer à frutose, uma vez que utiliza transportadores diferentes da glicose a nível intestinal. Assim, a escolha de bebidas desportivas que possuam uma formulação de glicose e frutose (numa razão de dois para um) permite que esta taxa de absorção seja maximizada para as 90 gramas/hora, com consequente efeito benéfico na performance. Ainda assim, há que reconhecer que ingestões tão elevadas possam ser apenas necessárias em provas acima das 2.30 horas de duração e devam ser experienciadas previamente para “treinar” a aptidão do intestino em lidar com estas quantidades e evitar qualquer tipo de desconforto gastrointestinal.

Um outro fator a ter em conta é a proveniência destes hidratos de carbono. Com taxas de ingestão tão elevadas e em provas disputadas a grande intensidade torna-se essencial que a digestibilidade e absorção dos hidratos de carbono seja o mais facilitada possível. Neste contexto, a opção por bebidas com maltodextrinas em vez de sacarose promove uma maior velocidade de esvaziamento gástrico, devido à osmolaridade mais baixa que apresentam.

Apesar de existirem outras formas de consumo de cafeína (cafés, cápsulas, pastilhas efervescentes, etc.), algumas formulações de bebidas desportivas e géis possuem este estimulante na sua composição, de modo que pode igualmente ser um terceiro ingrediente a procurar aquando da escolha destes produtos. Aqui ficam exemplos de produtos que cumpre os objetivos acima falados:

 

Teste

Pedro Carvalho Nutricionista e docente da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

2 comentários

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  • João Borges

    6.6.2015

    Concordo perfeitamente com a opinião do Filipe Silva. A ingestão de géis ou isotónicos pela primeira vez numa prova de endurance, sem habituação/teste prévio, é um grande risco e o primeiro passo para provavemente boicotar a prova com problemas digestivos. Tratam-se de substâncias normalmente muito concentradas e de acção muito imediata, o que, num organismo não habituado, pode ser rejeitado e mesmo provocar uma paragem digestiva. Inclusivamente de marca para marca ou tipo de gel/bebida existem diferenças e nem todos os atletas se dão com as mesmas. Esta é mais uma das muitas variáveis que deve ser treinada (o que não quer dizer que se tome regularmente) num desporto de endurance.

  • Filipe Silva

    5.6.2015

    Bom dia
    Só não concordo com a primeira observação, onde é dito que as bebidas desportivas e géis devem ser quase exclusivamente em provas e não em treino. A minha opinião é que é nos treinos que se testa e experimenta essas bebidas, o organismo que vai para uma prova já deve estar suficientemente treinado, quer a nível físico quer a nível de hidratos. Ao experimentar bebidas durante as provas o organismo pode não estar habituado e pode causar outro tipo de problemas. Em resumo, os treinos devem ser completos e quando se faz treinos longos para uma maratona é aí que se usa os géis. Obrigado