Levámos as Zealot ISO e duas lesões a Paris

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Quando se parte para uma maratona sem treino, depois de semanas de fisioterapia a tentar debelar periostites (vulgo canelites) e fasceítes plantares, as esperanças estão basicamente colocadas nas sapatilhas e nos 20 euros que levamos no bolso para desistir e passar por um bistrot antes de apanhar o metro de volta à partida. O pouco que corremos nos dois meses anteriores tinha sido a testar as novas Zealot ISO, terceiras filhas da ISO.SERIES da Saucony. E escolhemos as Zealot porque uma fasceíte, senhores, pede amortecimento. E porque uma canelite pede leveza. Encontrar ambas as características juntas não é o mais fácil.

A primeira sensação quando se calça uma Zealot é precisamente a da leveza – e estamos habituados a uma sapatilha muito leve, porque mais próxima do minimalismo –, sobretudo se comparada com as marcas líderes. Para quem sofre de periostites, reduzir o peso do calçado é fundamental. As Zealot femininas pesam 210 gramas (235 para homens). A aproximar do minimalismo na forma como permitem correr, as Zealot apresentam um drop (diferença entre o calcanhar e a dianteira) de 4 mm, dos mais baixos do mercado.

Segue-se o conforto: apesar da extrema leveza, o modelo oferece um excelente amortecimento, muito flexível e comparável ao de outros modelos da Saucony que são bem mais pesados e com o dobro do drop. Para quem sofre de fasceítes, não sentir a dureza do chão é quase o paraíso. É o PWRGRID+ que, segundo a Saucony, confere mais 20% de amortecimento sem pesar. A contribuir para o conforto, a parte superior é apenas uma, sem língua, o que evita as dores decorrentes de mau posicionamento ou deslizamento ao cabo de alguns quilómetros, tecnologia que não é exclusiva.

A Saucony recomenda esta sapatilha a “corredores de peso médio, rápidos, amantes da leveza e que não querem sacrificar nem um pouco o amortecimento”.

Não seremos rápidos (e não vamos aqui revelar o nosso peso), mas não queremos, de facto, sacrificar o amortecimento nem a leveza. É uma sapatilha que nos convence. Terminámos Paris sem dores, com 20 euros intactos e apenas um senão: foi uma prova regada, com mais de 40 mil participantes e abastecimentos sólidos a partir dos 10 km. Escorregámos. Várias vezes. Nas cascas de laranja e, mais grave, no simples alcatrão molhado. Será possível ter tudo?

Ivete Carneiro

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