A propósito da quente Meia do Douro Vinhateiro

Os organizadores intitulam-na a corrida mais bela do mundo. Não poremos isso em questão, o Douro é um paraíso verde de socalcos a morrer no espelho do rio e contra factos não há há argumentos. Mas poderá, também, ser classificada da corrida mais quente, pelo menos, de Portugal. A Meia Maratona do Douro Vinhateiro agrega este domingo, na Régua, uns bons milhares de afoitos, para 21 km que arrancam assaz tarde para um dia de maio no Alto Douro, ainda que este ano uns 30 minutos mais cedo (às 10.30 horas). E a Meteorologia aponta máximas de 30 graus, sem ponta de nuvens. Quem já correu por ali sabe que 30 graus podem parecer o inferno, apesar de toda a água que a organização coloca à disposição.

Pedro Carvalho (pedrocarvalho@fcna.up.pt), nutricionista e docente da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, é um dos que alinham amanhã na partida, na Barragem de Bagaúste. Admite que “experienciar temperaturas acima dos 30 graus é um esforço extra para o qual os atletas têm de fazer preparação”. Ora, não será fácil preparar-se para correr ao sol, debaixo de mais de 30 graus. “Normalmente nunca temos grandes condições para fazer uma aclimatação ao local onde vai ser feita a prova”, ao contrário do que acontece com os atletas de alto rendimento. À falta de teste no terreno, o nutricionista sugere uma atenção extrema à hidratação. E explica-nos porquê.

“Com as altas temperaturas, aumenta a temperatura corporal, os níveis de desidratação e a produção de ácido láctico. E os níveis de glicogénio também vão sendo debilitados mais rapidamente”. Daí a necessidade de quase abusar da hidratação, diz-nos Pedro Carvalho. Importa “começar a beber mais cedo, um bocadinho para além da sede”, antes e durante a prova. O nutricionista aconselha mesmo que se levem eletrólitos (cápsulas ou pós para obter bebidas isotónicas), porque permitem “aumentar a ingestão de sódio e a retenção de fluidos no organismo”.
Importa pegar sempre em água nos abastecimentos, para beber e regar o corpo, utilizando, se houver, esponjas molhadas. “Baixa a temperatura corporal e melhora a dissipação do calor”. O ideal seria a água ser bebida fresca, porque “diminui também a temperatura corporal e aumenta a velocidade de esvaziamento gástrico, ou seja, hidrata mais rapidamente”.

Agora um conselho nosso: a Meia do Douro Vinhateiro costuma ter autotanques dos Bombeiros Voluntários a regar o pelotão, aproveitem, não fujam deles…

Ivete Carneiro

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