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Abril é mês de assalto ao planalto mirandês

Facto: Portugal começa a ter demasiadas provas de montanha para a panóplia de corredores do país. Facto: Portugal precisa de apostar na participação de estrangeiros. Facto: o interior oferece pano para mangas no que a trilhos bonitos diz respeito e está livre de provas. Facto: o interior tem, além disso, fronteira com o estrangeiro que importa chamar.

Mauro Fernandes, corredor de Guimarães com raízes familiares em Montalegre, juntou tudo e testou, em setembro passado, um free trail em Vilar de Perdizes. Funcionou tão bem que reservou já um fim de semana de Setembro de 2015 para levar à terra do Padre Fontes um trail organizado. Funcionou tão bem que Mauro resolveu não ficar por ali, apesar de ser dali que traz raízes. Embrenhou-se no  mapa até bater na fronteira lateral de Portugal, no sítio onde o Douro se nos aparece na cartografia. Miranda. E replicou, antecipando-o, o desafio proposto para Vilar de Perdizes. Está marcado para 11 e 12 e abril.

“O formato é exatamente o mesmo”, que é como quem diz, traçados para todos os gostos e preparações, com promessa de vistas de cortar a respiração: 5 km e 10 km para quem não faz ideia do que será uma corrida de montanha, 15 km para quem prefere corridas comedidas, 42 km para integrarem a listas das European Moutain Marathons (além de Vilar de Perdizes e Miranda, o Azores Trail Run do Faial e o Ultra Trail das Aldeias de Xisto, na Lousã, são as provas portuguesas inseridas, entre sete espanholas, uma britânica e uma belga) e 60 km para saciar maiores apetites. Ou até, vejam lá, 42+60, para aqueles mesmo vorazes, em duas etapas, sábado e domingo.

Mas vamos a Miranda, que é já já aí. “Eu não sou muito a favor da dificuldade excessiva das provas. Este é um trail para apreciar, é um trail de paisagem”, diz-nos Mauro, que acredita que lá aparecerá quem procurar um trail bonito, não necessariamente difícil. O Trail de Miranda do Douro “é planalto”. Ainda assim, tem o selo ITRA (International Trail Running Association) A prova maior tem 2000 metros de desnível positivo, a maratona 1600, as outras são singelas e exigem pouco mais do que aquilo que se faz num treino urbano por rampas e escadas de qualquer uma das nossas cidades, à roda de 300 metros positivos. A ideia assumida é trazer espanhóis, país onde a corrida de montanha está mais expandida. E parece estar a surtir efeito: 30% dos já inscritos são do lá do lá da fronteira, apesar de este trail se restringir aos limites territoriais. “Para já”. Em Vilar de Perdizes, Mauro Fernandes já conseguiu desenhar um circuito internacional e há de subir-se o Larouco pelo lado trasmontano e pelo lado galego, ligando seis aldeias, três de cada país.

A organização anuncia um “trail diferente”. A marcação, por exemplo, é ecológica, com estacas de madeira que servirão depois para trekking e BTT, até desaparecer na natureza. Em Vilar, no ano passado, fez por ter abastecimentos líquidos exclusivamente em fontes. Para Miranda, oferece autocarro a preços reduzidos para quem parta do Porto, de Braga ou de Guimarães, zonas de maior procura. A Letsrun.pt, empresa associada a Mauro, tratará das inscrições e da cronometragem, além de propor uma novidade: uma bolsa de boleias. No final, há a promessa de um trilho por muralhas e a vizinhança permanente do Douro na sua fase mais majestosa, apertada entre dois países altaneiros, num município “dinâmico” e muito adaptado à vinda de forasteiros, mormente os ditos nuestros hermanos. E a garantia de segurança com o apoio do GOBS (Grupo Operacional de Busca e Salvamento.

Ivete Carneiro

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