Maria Conceição já cumpriu o dia 1 do 777

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A ultramaratonista portuguesa Maria Conceição terminou com um sorriso a primeira das sete maratonas que se propôs fazer em sete dias consecutivos e em sete continentes diferentes. Cumpriu esta manhã os 42 km da Carlton Classic de Melbourne na Austrália e já viajou para Abu Dhabi para a segunda etapa.

O objetivo da atleta é dar mais visibilidade e fundos à Fundação Maria Cristina, que criou para promover a educação das crianças dos bairros de lata de Dhaka, no Bangladesh. Depois da corrida, que fez depois de uma noite difícil, Maria Conceição contou no seu Facebook  que foi ajudada pelas boas notícias sobre doações que recebeu ao pequeno almoço.

Com este desafio, pensado pela Marathon Adventures, Maria quer de novo arrumar recordes do Guinness em nome da solidariedade. O Desafio 777 segue para o Médio Oriente, sobe à Europa, desce ao norte de África, atravessa mares até à América do Norte, desce à do Sul e conclui a festa na gelada ponta do mundo, a Antártida.

Quando era hospedeira da Emirates, a agora atleta humanitária, residente no Dubai, aterrou um dia no Bangladesh e descobriu, no caminho do aeroporto ao hotel, a realidade dos bairros de lata. Ficou curiosa, foi conhecê-los e percebeu que só a educação poderia melhorar a vida de tantas pessoas. Como já contámos no JN Running, criou em 2005 a Fundação Maria Cristina (MCF), inspirada na mulher que foi sua segunda mãe, perante as dificuldades da mãe biológica. E com ela conseguiu dar percursos educativos a centenas de crianças, numa luta diária pela angariação de fundos. Além de promover educação básica para crianças, financia estudos secundários aos mais capazes, de forma a fortalecer as bases de futuras carreiras que possam garantir o sustento das famílias e resgatá-las da pobreza. A MCF também trabalha na educação de adultos e oferece apoios alimentares, médicos e, até, habitacionais.

A dada altura, Maria Conceição percebeu que podia colocar a sua capacidade de corredora de fundo ao serviço das crianças de Dhaka. Já detém três recordes do Guinness e corre agora à conquista do quarto. “Eu farei tudo para manter a fundação viva”. Com o Desafio 777, Maria Conceição quer angariar o suficiente para pagar as faturas escolares atuais e arrancar um novo ano académico sem pontas soltas. São 68 mil dólares.

Depois da maratona de Abu Dhabi (num circuito certificado na Sheikh Zayed Sports City), o desafio é Paris, numa corrida feita numa propriedade fechada para evitar o trânsito. Em Tunis, dia 11, a maratona parte do teatro da cidade histórica de Cartago, numa circuito também certificado. A prova de quinta-feira decorre num parque de Long Island, em Nova Iorque, seguindo-se uma viagem até Punta Arenas, na Patagónia chilena. O fim de festa está marcado para o frio da Antártida, em torno do centro de investigação de King George Island. O Desafio 777 conta com atletas de 13 países, o mais velho dos quais tem 77 anos.

Maria Conceição foi a primeira portuguesa a conquistar o Evereste, nos Himalaias, em 2013. Antes, em 2011, completara sete maratonas em sete dias nos sete Emiratos. Tem o recorde do Guinness por ter concluído em 2014 o Desafio de Ultramaratona 777, que implicou correr sete ultramaratonas de 50km nos sete continentes em sete semanas. Nesse desafio, Maria Conceição conquistou outro recorde: ter cumprido o desafio em seis semanas, em vez de sete. Recentemente, recebeu a terceira distinção do Guinness, por ter sido “a mulher que mais dias consecutivos fez em corrida de ultramaratona”. Em outubro passado, correu cinco maratonas em cinco dias seguidos em cinco estados norte-americanos e, depois, sete maratonas em sete dias. Junta agora o desafio de atravessar continentes em vez de descansar.

Ivete Carneiro

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