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A prova que sobreviveu à intempérie

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A V edição do Trilho dos Abutres levou no passado fim-de-semana à Serra da Lousã a sua versão”xtrem”: à já tradicional dureza de um terrenos enlameado e com muita água juntou as piores condições atmosféricas que se pode imaginar, com frio, chuva, granizo e neve.

A prova que leva à Capital da Chanfana mais de seis mil pessoas (entre atletas e acompanhantes) tem a tradição de ser das mais duras, pelas condições meteorológicas próprias da época. Este ano não foi excepção, tendo soçobrado ao frio, chuva e principalmente à lama que dificultava a progressão, cerca de 40% dos mais de 600 atletas que alinharam na partida da prova de 50 km, por excederem o tempo limite de passagem no km 29, em Tábuas, que era de 5h30. Apesar de ter adiado a partida em 2 horas, devido ao mau tempo, a organização decidiu manter as barreiras horárias, para lamento de muitos que ansiavam terminar.

“Houve duas avaliações no percurso, antes de ponderarmos cancelar todo o evento: uma às duas da madrugada de sabádo, numa altura em que as condições climatéricas  eram adversas e havia um alerta laranja da Proteção Civil; outra às seis, já com a viabilidade de realizar -se a prova, mas teria que haver mudanças no percurso”, explica a organização, a Associação Abútrica. “Aí destacámos dez equipas distribuídas pelos percursos, tendo havido essa mudança, com cortes de árvores e alguns arranjos nas pontes. Houve também necessidade de adiar duas horas o arranque das provas. A concretização do evento foi de facto um grande desafio para nós, voluntários, bombeiros e para os atletas”, diz Tiago  Araújo.

A organização justifica a irredutibilidade no cumprimento do regulamento horário (no ano passado houve alargamento das barreiras horárias devido ao mau tempo) com a necessidade de assegurar a integridade dos atletas. Além de que, com a diminuição de horas diurnas disponíveis para a prova, qualquer resgate seria dificultado pelas condições adversas, que se mantinham.

Entre os pouco mais de 300 que chegaram ao final desta epopeia na lama destacaram-se Ricardo Silva do Viana Trail, estreante na prova, com 5h07m10, e Ester Alves, agora a correr pela Salomon Suunto.

Mas houve mais para contar neste fim-de-semana abútrico, que começou com uma tertúlia na tradicional “loja do Sr. Falcão”, com presença dos padrinhos da prova (Flor Madureira e José Moutinho), organizadores e autarcas de Miranda do Corvo e Condeixa, onde se discutiu o futuro do Trail e a sua importância para o desenvolvimento das Serras da Lousã e Sicó. A prova terminou no domingo, com mais uma edição dos Trilhos Júnior José Godinho onde os mais jovens (dos 6 aos 17) puderam divertir-se numa agradável competição.

Rui Pinho e Ivete Carneiro

Foto João Pena Rebelo

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