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Carlos Sá desafia o pior frio dos EUA

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Desafio: fazer uma corrida como a famosa Badwater, no infernal Vale da Morte, nos EUA, mas ao contrário. Fazê-lo no pior frio. O ultramaratonista Carlos Sá alinhou. “Nem sou capaz ainda de perceber como se vai desenrolar”, disse o atleta ao JN Running, poucas horas antes de embarcar para o Minnesota, onde arranca segunda-feira, pelas 14 horas de Portugal, para a Arrowhead 135 com os companheiros que com ele fizeram o pódio da Badwater de 2014, um americano e um australiano.

A Arrowhead 135 são 135 milhas, ou seja, 217 km, que integram a lista dos 50 desafios de resistência mais duros do mundo. Porque acontece na pior altura do inverno da cidade mais fria dos Estados Unidos, à exceção do Alasca. A média de terminadores anda nos 50% dos que ousam arrancar. No ano passado, terminaram 35%. E a média de temperaturas é de 25 graus negativos. “Parece que vamos ter sorte”, diz Carlos Sá, que admite facilmente que prefere correr no calor do que no frio, porque a lentidão do cansaço, no frio, significa arrefecer muito. A meteorologia aponta mínimas de 15 graus negativos.

“É o oposto da Badwater”. Para lá do calor que dá lugar ao frio, há o apoio, que na Arrowhead é nenhum. No Vale da Morte, Carlos Sá tinha um carro e uma equipa que corria ao seu lado, ajudando a vencer o tempo e regando-o para reduzir os efeitos do calor (em 2013, venceu a prova, tendo corrido sob temperaturas avizinhando-se dos 50 graus a derreter-lhe as solas). No Minnesota, segue em autonomia total, com 15 kg de bagagem, incluindo fogão e gás, roupa e alimentação. Tem a escolha de levar ou não um trenó. “Vou ter de testar antes. É mesmo muito difícil correr com aquilo”. Admite mesmo que pode impedi-lo de concluir a prova. E o objetivo de Carlos Sá é mesmo chegar ao fim. Se for nos lugares da frente, tanto melhor. “Dependerá muito das condições da neve”. Outra diferença para a Badwater é o tempo de conclusão da prova: no Vale da Morte, Carlos Sá correu cerca de 24 horas. A Arrowhead tem um recorde de 37 horas… “Faz parte do circuito da Badwater 135 e da BR 135. É um circuito que quero completar. Fica a faltar a BR” (no Brasil).

Carlos Sá esteve alguns dias a treinar nos Alpes, numa espécie de aclimatação. E aproveitou para testar uma novidade para ele: o esqui de fundo. “A Arrowhead serve de preparação para a travessia da Gronelândia, que vou fazer na segunda quinzena de Maio”. Desafio de superação pessoal, sem qualquer intuito competitivo, a travessia implica 600 km através daquele território, em ambiente de neve virgem sobre um piso incerto, para fazer em 12 dias. Faz-se em esqui de fundo, modalidade que o atleta confessou ter apreciado. A acompanhá-lo terá outro português (que também vai agora aos EUA), João Neto. Quanto à falta da cenoura da competição, Carlos Sá garante que, para quem, como ele, vem do montanhismo, são estes desafios os mais gratificantes. “Quando competes nem tens tempo para apreciar”.

Não obstante, o calendário do semestre atleta está preenchido de competições: o Trail Glazig, em França, em fevereiro, prova em duas etapas que já venceu, a Transgrancanaria em Março, a Maratona das Areias em Abril, a Transvulcânia no início de Maio e, depois da Gronelândia, o Campeonato do Mundo de Trail em Annecy, em França. Pelo meio, ainda organiza o Peneda Gerês Trail Adventure, em Abril.

Ivete Carneiro

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